Quarta-feira, 26 de Dezembro de 2007, 09h:50 -
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PT tenta se livrar dos escândalos de 2007
Dourados News
O PT chega ao fim do ano com um de seus principais líderes, o ex-governador José Orcírio dos Santos, afundado em denúncias de corrupção, que acabou atingindo o partido e aprofundou o racha do grupo majoritário. É um pesado fardo que o partido não espera continuar carregando em 2008. A vinculação dos escândalos poderá prejudicar o desempenho do partido nas eleições municipais.
A missão de tirar o partido da encrenca sobrou para o senador Delcídio do Amaral. Ele é a liderança que poderá dar "nova cara" ao partido depois de tantos escândalos. O senador continua com moral alta no Senado, onde se destacou como presidente da CPI dos Correios, como atual
O senador Delcídio do Amaral, que tem o ex-governador como principal rival dentro do partido, assumiu o controle do PT com a eleição do deputado estadual Amarildo Cruz. O nome do parlamentar só foi consenso na conversa, porque na prática nem todos votaram em sua candidatura para não dar força a Delcídio.Porém, há cuidado das lideranças para não deixar expostas as feridas da guerra interna de Delcídio e com José Orcírio para não contaminar ainda mais as bases. Com o partido nas mãos, o senador sente-se mais à vontade para negociar projetos eleitorais, entre eles a sua reeleição em 2010.
O ex-governador, mesmo fragilizado com as denúncias de corrupção em sua administração, não vai dar sossego ao senador, porque está decidido a lançar a sua candidatura ao Senado. Com os dois disputando a mesma vaga nas eleições, um pode levar a pior ou mesmo afundar os dois, porque o governador André Puccinelli (PMDB) não medirá esforço para eleger, pelo menos, o deputado federal Waldemir Moka, que é primo e adversário do ex-governador. Pela lógica eleitoral, dificilmente o PT terá condições de eleger dois senadores. O que Delcídio pretende é ficar longe das encrencas do ex-governador. Para isto, o seu grupo pode partir para ofensiva numa aliança com o PMDB em 2010 com o objetivo de garantir a reeleição de Delcídio. Com José Orcírio na disputa, dificulta qualquer tipo de conversa com as lideranças do PMDB.
E Delcídio sabe disto. Mas também tem a consciência que não será fácil ficar livre das movimentações do ex-governador para atrapalhar os seus planos eleitorais. O que o ex-governador quer mesmo é brigar por uma vaga de senador.Diante de tanta confusão, o grande desafio do novo presidente regional do PT, deputado estadual Amarildo Cruz, é acabar com o racha e reagregar as forças políticas. Ninguém tem dúvida de que o aprofundamento da crise só vai fragilizar ainda mais o partido e prejudicar o seu desempenho a partir das eleições municipais.
Amarildo pretende reunir Delcídio e José Orcírio para discutir uma saída para a crise. Na última vez que os dois se reuniram, saiu a aliança para a eleição do novo comando do diretório regional. O problema é que o grupo do ex-governador chegou às urnas fragmentado. Cada um votou em candidato diferente. Apenas a corrente liderada pelo senador que trabalhou e votou em peso na eleição de Amarildo Cruz.Como as eleições passaram, Amarildo não está mais preocupado com quem votou a favor ou contra a sua candidatura. O que ele quer mesmo é pacificar o partido. Há uma avaliação dentro do PT de que José Orcírio pode estar debilitado politicamente, mas não está morto. Por isto não há como ignorar as articulações do ex-governador.
Hoje quem dá força para o grupo do ex-governador é o deputado federal Vander Loubet, seu sobrinho, que continua com muita influência dentro do PT em Mato Grosso do Sul e com bom trânsito no Palácio do Planalto.Ele poderá ajudar Amarildo a amarrar os entendimentos no partido ou mesmo contribuir com Delcídio para formação de alianças. Mas também ninguém duvida da ação de Vander para alavancar a candidatura de José Orcírio a senador