O senador Delcídio do Amaral (PT-MS) deverá adotar um discurso defensivo nesta terça-feira (23) no Senado, onde retoma suas atividades depois de ficar 87 dias preso por conta de sua suposta interferência nas investigações da Lava-Jato.
A linha de seu discurso deverá apontar para supostas motivações políticas como principal motivo para a sua prisão em novembro de 2015 pela Polícia Federal, em um hotel em Brasília.
Ele deverá dizer ainda, conforme relatos de assessores próximos feitos à Folha de S. Paulo, que são pouco substanciais as provas apresentadas contra ele pelas investigações da PF e que teria agido, no caso das acusações de que supostamente tramava a fuga do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró para o exterior, de forma “humanitária” em apoio a Cerveró.
A Folha de S. Paulo também diz que, depois de apresentar sua defesa no plenário do Senado, onde muitos de seus pares operam para cassá-lo, Delcídio poderá requisitar uma licença de até 120 dias.
O jornal paulista assinala ainda que, numa eventualidade de ser cassado pelo Senado, Delcídio poderá adotar um discurso de revanche, partindo para acusações generalizadas contra membros da Casa.
"Se me cassarem, levo metade do Senado comigo", teria afirmado o senador a interlocutores quando ainda estava preso, segundo o jornal paulista. A frase, segundo o jornal, foi entendida como uma ameaça de que está decidido a entregar seus pares caso lhe tirem a cadeira de parlamentar.
A Folha também ressalta que ao retornar ao Senado, Delcídio fará corpo a corpo com os demais colegas, pedindo amparo. Deverá bater às portas de integrantes de partidos aliados e da oposição, com quem sempre manteve diálogo. Poucos, no entanto, devem ser os que darão apoio público ao petista, observa o jornal.

