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Política Quinta-feira, 03 de Março de 2016, 14:45 - A | A

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Revés para o governo

Delcídio teria aceitado fazer delação premiada, diz IstoÉ

Além da IstoÉ, a revista Veja e o jornal O Estado de S. Paulo também repercutem suposta decisão do senador

Gilmar Lisboa
Capital News

Pedro França/Agência Senado

Senador Delcídio do Amaral (PT-MS)

Suposta delação de Delcídio é repercutida nesta quinta pela grande imprensa do país

A edição da revista IstoÉ antecipada para esta quinta-feira (3), relata que o senador Delcídio do Amaral (afastado do PT-MS), ex-líder do governo de Dilma Rousseff, decidiu firmar acordo de delação premiada com a força-tarefa da Operação Lava Jato, embora até o início da tarde desta quinta tanto a defesa, como a assessoria de imprensa do parlamentar negavam tal decisão do petista.

 

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Segundo a IstoÉ, na deleção, Delcídio planeja relatar aquilo que testemunhou ao longo dos momentos mais dramáticos dos escândalos do governo do ex-presidente Lula e de sua sucessora.
São informações, conforme a publicação, com potencial devastador para o governo de Dilma Rousseff.


A IstoÉ divulgou documentos que detalham o que pode constar da delação de Delcídio, que teria 400 páginas. Neles, segundo a revista, o senador acusou a presidente Dilma Rousseff de atuar três vezes para interferir na Operação Lava Jato por meio do Judiciário.


"É indiscutível e inegável a movimentação sistemática do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo e da própria presidente Dilma Rousseff no sentido de promover a soltura de réus presos na operação", afirmou Delcídio na delação, segundo a revista. Cardozo deixou esta semana o Ministério da Justiça.


Conforme a Isto É, uma das investidas da presidente Dilma, de acordo com o depoimento de Delcídio, passava pela nomeação do desembargador Marcelo Navarro para o Superior Tribunal de Justiça (STJ).


"Tal nomeação seria relevante para o governo, pois o nomeado cuidaria dos habeas corpus e recursos da Lava Jato no STJ", teria dito Delcídio à reportagem.


A revista conta que Delcídio pretende contar aos procuradores que a estratégia foi discutida com Dilma no Palácio da Alvorada e que sua tarefa era conversar "com o desembargador Marcelo Navarro, a fim de que ele confirmasse o compromisso de soltura de Marcelo Odebrecht e Otávio Marques de Azevedo, da Andrade Gutierrez.

Reprodução/Isto É

Delcídio teria aceitado fazer delação premiada, diz Isto É

Trecho da delação de Delcídio publicado pela revista Isto É


Além da IstoÉ, o site de Veja também repercute a suposta decisão de Delcídio. Segundo o site, o ex-líder de Dilma fechou acordo, mas a delação ainda não foi homologada - e pode, portanto, não ser aceita pela Justiça.


Ouvido pelo site de Veja, o advogado Antonio Figueiredo Basto, responsável pela defesa de Delcídio, negou que o senador tenha firmado acordo.


A suposta decisão de Delcídio também é repercutida pela edição desta quinta do jornal O Estado de S. Paulo. De acordo com o jornal, no cardápio de revelações que apresentou à força-tarefa da Lava Jato, Delcídio citou vários nomes, entre eles o do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e detalhou os bastidores da compra da refinaria de Pasadena pela Petrobras, entre outros assuntos.


O Estadão assinala que as primeiras revelações do ex-líder do governo fazem parte de um documento preliminar da colaboração. No documento preliminar, segundo jornal, o delator indica temas e nomes que pretende citar em seus futuros depoimentos após a homologação do acordo.


O jornal lembra que Delcídio foi preso no dia 25 de novembro do ano passado acusado de tentar atrapalhar as investigações da Operação Lava Jato e solto no dia 19 de fevereiro. Desde que saiu da prisão, Delcídio nega ter feito delação premiada, recorda o jornal paulista.

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