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Política Sábado, 12 de Janeiro de 2008, 08:40 - A | A

Sábado, 12 de Janeiro de 2008, 08h:40 - A | A

Delcídio: desafio de Lobão é evitar crise no setor energético

Agência Brasil

O senador Delcídio Amaral (PT-MS), membro da Comissão de Infra-Estrutura e ex-diretor de Gás e Energia da Petrobras, disse nesta sexta-feira que o maior desafio que Edison Lobão (PMDB-MA) encontrará pela frente no Ministério de Minas e Energia “é tomar atitudes” para evitar uma eventual crise no setor energético.

“O momento não é de assustar, mas a situação pode se complicar caso não sejam tomadas as providências necessárias”, advertiu o senador sul-mato-grossense.

A líder do PT e do bloco governista no Senado, Ideli Salvatti (SC), disse que a escolha de Lobão (PMDB-MA) para o Ministério de Minas e Energia não representou a preferência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nem da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Segundo ela, os dois tinham preferência pelo retorno do ex-ministro Silas Rondeau ao cargo.

“O presidente Lula indicou inúmeras vezes o desejo de que o Silas [Rondeau] retornasse ao Ministério de Minas e Energia”, disse a senadora. “A partir do momento em que se configurou essa impossibilidade, não causa surpresa a indicação do senador Lobão, cujo nome já vinha sendo costurado pelo PMDB.”

Segundo Ideli, a indicação do senador maranhense “não foi do agrado” de Dilma Rousseff. “Nem Dilma nem o presidente escondiam suas predileções pelo retorno de Silas Rondeau”, destacou.

A líder do bloco governista ressaltou, no entanto, que a indicação faz parte do governo de coalizão do presidente Lula e que o Ministério de Minas e Energia sempre foi da cota peemedebista. “Se pudéssemos ter alguém com as características do Silas, cumprindo características técnicas e políticas, seria melhor, mas a indicação é do PMDB”, avaliou. Ideli, no entanto, descartou o risco de loteamento pelo PMDB de diretorias de empresas do setor de energia, como Petrobras e Furnas.

Para o líder do PSB no Senado, Renato Casagrande (ES), o senador peemedebista “tem um histórico” de gestão. No entanto, ele terá de se cercar de assessores capacitados, tanto técnica como politicamente, para evitar o risco desabastecimento de energia.

O líder do PDT no Senado, Jefferson Péres (AM), alegou que o loteamento político de áreas técnicas do governo compromete a gestão do setor elétrico. “Mesmo sem risco de um apagão, o comando do setor energético tem de ser entregue a uma pessoa com perfil técnico”, avaliou. Ele dá como certo “o loteamento” nas diretorias das estatais vinculadas a pasta.

O critério de indicação de Edison Lobão também foi criticado pelo vice-líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR). “Não faço ressalvas ao nome, mas à prática. Especialmente no momento em que se fala de apagão no setor. Usar o ministério para barganha política é uma irresponsabilidade”, afirmou o tucano.

O líder do Democratas, José Agripino Maia (RN), preferiu não entrar no mérito da escolha do ex-colega de partido para o Ministério de Minas e Energia. “Essa é uma questão do PMDB. À oposição não cabe opinar”, desconversou.

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