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Câmara Campo Grande

Vereadora cobra CPI para investigar crise na saúde pública de Campo Grande

Vereadora afirma que prestação de contas da Sesau não esclareceu dúvidas sobre recursos da saúde e defende apuração de supostas irregularidades

João Gabriel Vilalba
Capital News

A vereadora Luiza Ribeiro (PT) voltou a cobrar transparência e responsabilização diante da crise enfrentada pela saúde pública de Campo Grande. Após mais uma audiência de prestação de contas da execução orçamentária da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), a parlamentar afirmou que as explicações apresentadas não responderam aos questionamentos da população, dos trabalhadores da saúde e dos vereadores.

Diante do cenário, Luiza defendeu a instauração imediata de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Municipal para apurar a aplicação dos recursos destinados à saúde pública da Capital.

“Campo Grande merece desvendar o que ocorre na Sesau. O dinheiro público é todo consumido, mas os serviços não aparecem. A população continua enfrentando falta de medicamentos, demora para realizar exames, dificuldades para conseguir consultas e atendimento precário nas unidades de saúde”, afirmou a vereadora.

O pedido de CPI tem como objetivo investigar denúncias e possíveis irregularidades relacionadas à gestão da saúde municipal. Entre os pontos citados estão o suposto desvio de recursos públicos, estimado em R$ 156,8 milhões, dívidas que somam cerca de R$ 200 milhões com fornecedores, questionamentos sobre contratos firmados pelo município e a falta recorrente de medicamentos, materiais médicos, hospitalares e odontológicos nas unidades de saúde.

A proposta também pretende apurar a demora na realização de exames e procedimentos, a insuficiência de vagas hospitalares contratadas pelo município e o descumprimento de decisões judiciais que determinam o fornecimento de insumos, fraldas e dietas especiais para pessoas com deficiência.

Segundo Luiza Ribeiro, diferentes órgãos de controle já investigam a situação da saúde pública municipal. Ela cita procedimentos instaurados pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul, além de apurações conduzidas pelo Ministério Público da União e pelo Tribunal de Contas da União (TCU) relacionadas ao suposto desvio de R$ 156,8 milhões envolvendo decretos editados em maio de 2024.

“Os órgãos de controle estão fazendo a sua parte. Agora, a Câmara Municipal também precisa cumprir sua obrigação constitucional de fiscalizar, apurar responsabilidades e dar respostas à população”, defendeu.

A vereadora argumenta que somente uma investigação conduzida por uma CPI poderá reunir documentos, ouvir testemunhas, esclarecer os fatos e apontar eventuais responsáveis.

“A CPI dá resultado. O silêncio não dá resultado. Campo Grande não pode continuar convivendo com uma saúde em colapso enquanto persistem dúvidas sobre a aplicação dos recursos públicos”, concluiu.

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