A Câmara Municipal de Campo Grande realizou, nesta semana, uma audiência pública para debater a redução da jornada de trabalho sem redução salarial e o fim da escala 6x1, tema que vem ganhando força em todo o país.
Durante o debate, o vereador Landmark Rios (PT), que secretariou a sessão, defendeu a valorização dos trabalhadores e criticou narrativas que, segundo ele, responsabilizam programas sociais pelas dificuldades do mercado.
“Os patrões tentam criar uma narrativa de que os problemas são os programas sociais. Isso é uma mentira. O que falta é pagar um salário digno para os trabalhadores e trabalhadoras”, afirmou.
Em sua fala, Landmark também chamou atenção para a realidade enfrentada pelos trabalhadores, especialmente no serviço público.
“Nossos trabalhadores aqui de Campo Grande estão psicologicamente abalados, principalmente os das unidades de saúde, com sobrecarga muito grande”, destacou, ao relatar casos observados durante visitas a unidades.
O vereador defendeu que a redução da jornada pode melhorar a qualidade de vida e também a produtividade.
“Se esse trabalhador for melhor remunerado e tiver uma jornada mais justa, ele vai trabalhar melhor e produzir mais”, pontuou.
Debate reúne lideranças e especialistas
A audiência reuniu vereadores, lideranças sindicais, economistas, advogados trabalhistas e representantes de parlamentares federais para discutir propostas em tramitação no Congresso Nacional relacionadas ao fim da escala 6x1.
O debate ocorreu na semana do Dia do Trabalhador, celebrado em 1º de maio, e também abordou a proposta de jornada de 30 horas semanais para servidores municipais, que já tramita na Câmara.
Entre as propostas em discussão no Congresso estão modelos como a jornada de 40 horas semanais, a adoção da escala 5x2 e a redução gradual da carga horária ao longo dos anos.
Representando a Central Única dos Trabalhadores (CUT-MS), o presidente Vilson Gimenes Gregório destacou que a redução da jornada é uma pauta histórica da classe trabalhadora.
“Nós, trabalhadores e trabalhadoras, não estamos aqui para quebrar empresa. Estamos aqui para discutir qualidade de vida para o trabalhador e para a trabalhadora. É isso que nós queremos”, afirmou.
Vilson também chamou atenção para a realidade de setores como frigoríficos e comércio, que enfrentam jornadas extensas e pouco tempo de descanso.
A presidente da Federação dos Trabalhadores em Serviços Públicos Municipais, Dilma Gomes, destacou a importância do debate nos municípios. “Sabemos que o adoecimento vem pelo excesso de trabalho, quando não se leva em conta a saúde do trabalhador”, afirmou.
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