Preocupada com as fraudes envolvendo o Banco Master, que atingem diretamente aposentados e servidores públicos, a Federação Sindical dos Servidores Públicos Estaduais e Municipais de Mato Grosso do Sul (Feserp/MS) usou a tribuna da Câmara Municipal na manhã desta quinta-feira (5) para pedir a suspensão dos descontos de consignação em folha de pagamento (crédito consignado) vinculados à instituição. O banco pertence ao empresário Daniel Vorcaro, preso novamente nesta semana.
O requerimento, assinado pelo vereador Landmark (PT), solicita que o município suspenda de forma imediata os descontos.
O apelo foi reforçado pela presidente da entidade, Lilian Fernandes, que relatou as dificuldades enfrentadas pelos servidores e citou exemplos de outros estados e capitais onde os descontos de consignados foram suspensos. Segundo ela, Campo Grande possui um decreto que regulamenta as consignações e estabelece requisitos para que instituições possam realizar descontos em folha, como ter sede na Capital e autorização regular do Banco Central — exigências que, segundo a entidade, atualmente não estariam sendo atendidas pelo Banco Master.
“É um pedido necessário. Os servidores sequer conseguem entrar em contato com o banco”, afirmou Lilian Fernandes. Ela informou que um requerimento foi apresentado à prefeitura, mas a Federação ainda não recebeu resposta. “Buscamos a proteção patrimonial do salário desses servidores. Também pedimos auditoria nos contratos assinados”, acrescentou, ressaltando a necessidade de o município cumprir o que determina o decreto.
Na Câmara, a presidente da Federação solicitou apoio dos vereadores e cobrou providências da prefeitura diante do descumprimento dos requisitos legais. Segundo ela, o objetivo não é o perdão das dívidas, mas alertou que muitos servidores estão reféns de descontos em folha com valores considerados impagáveis.
Lilian Fernandes também mencionou irregularidades relacionadas ao Credcesta, espécie de cartão de crédito com desconto direto no salário dos servidores. De acordo com a entidade, há denúncias no país de juros abusivos e fraudes, que têm levado a casos de superendividamento.
O vereador Landmark, autor do convite para que a presidente da Federação utilizasse a tribuna, afirmou que já encaminhou ofícios solicitando a suspensão dos descontos ou a retenção dos valores referentes a esses empréstimos, com o objetivo de proteger os servidores.
“Apresentamos nesta Casa de Leis um requerimento pedindo informações sobre as providências administrativas em relação ao Banco Master, pois nosso dever é proteger os servidores”, disse o parlamentar.
O pedido de suspensão refere-se ao Banco Master diante das suspeitas de fraudes bilionárias no país, como a emissão de títulos e carteiras de crédito falsos para captar recursos de investidores. Em 2025, o banco foi liquidado pelo Banco Central do Brasil e seu proprietário foi preso.
Entenda o caso
As supostas fraudes investigadas pela Polícia Federal envolvendo o Banco Master podem alcançar R$ 17 bilhões, segundo apuração das autoridades. Um dos desdobramentos do caso foi a Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro de 2025, que apura a concessão de créditos considerados irregulares pela instituição financeira, além da tentativa de venda do banco ao Banco de Brasília (BRB), instituição pública ligada ao governo do Distrito Federal.
Daniel Vorcaro estava solto desde novembro de 2025, sob monitoramento eletrônico, após decisão da desembargadora Solange Salgado, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, que revogou a prisão preventiva. As investigações seguem em andamento para apurar a extensão das irregularidades e a eventual responsabilização dos envolvidos.
Bens bloqueados
O bloqueio e o sequestro de bens no valor de até R$ 22 bilhões estão entre as principais medidas determinadas pelo Supremo Tribunal Federal na terceira fase da Operação Compliance Zero. Segundo a Polícia Federal, a decisão tem como objetivo interromper a movimentação de ativos vinculados ao grupo investigado e preservar valores potencialmente relacionados às práticas ilícitas apuradas.
Os investigados são suspeitos de integrar uma organização criminosa envolvida em possíveis crimes financeiros, cuja extensão ainda está sendo apurada pelas autoridades.
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