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Campo Grande

Falhas operacionais e frota envelhecida mantêm pressão sobre Consórcio Guaicurus

Relatório da Câmara recomendou troca de 197 ônibus e intervenção na concessionária

João Gabriel Vilalba
Capital News

Os trabalhos da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Transporte Público, conduzida pela Câmara Municipal de Campo Grande, tiveram novos desdobramentos nesta quarta-feira (3), durante audiência pública que discutiu o futuro da concessão do transporte coletivo na Capital.

A audiência foi organizada pela comissão especial instituída pela Prefeitura para analisar o contrato de concessão do transporte coletivo e representa mais uma etapa das apurações iniciadas após a conclusão da CPI da Câmara Municipal.

Em setembro de 2025, o relatório final elaborado pelos vereadores recomendou a substituição imediata de 197 ônibus com idade acima do limite contratual e sugeriu a intervenção no Consórcio Guaicurus para garantir o cumprimento das obrigações previstas no contrato.

A partir das investigações conduzidas pela Câmara, a Prefeitura instaurou uma comissão própria para aprofundar a análise da concessão. Os levantamentos realizados pelo Executivo corroboram diversos pontos identificados pela CPI, entre eles a necessidade de renovação da frota para reduzir a idade média dos veículos para cinco anos e a existência de falhas operacionais recorrentes na prestação do serviço.

Durante a audiência pública, foram apresentados dados que reforçam as conclusões apontadas pelos vereadores. Segundo a Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran), entre 2021 e 2025 foram registradas 12,2 mil autuações contra o consórcio por descumprimento de horários e outras 3,4 mil autuações por omissão de viagens.

O presidente da Câmara Municipal, vereador Papy (PSDB), destacou que as discussões em andamento são resultado direto do trabalho desenvolvido pela CPI e das providências sugeridas no relatório final.

“Acredito que estamos nos aproximando de uma intervenção que foi proposta pelo relatório final da CPI do Transporte Público. Esse desdobramento é fruto da coragem desta Casa em abrir uma CPI sobre um assunto espinhoso e indigesto para os gestores no primeiro ano da Legislatura. Sob a condução dos membros da comissão, foram mais de 50 horas de oitivas que resultaram em um relatório extremamente embasado e que exige providências para que a população tenha um transporte público melhor em Campo Grande”, afirmou.

Membro da CPI, o vereador Junior Coringa ressaltou que a audiência pública representa um dos primeiros resultados concretos produzidos pelas investigações conduzidas pela Câmara.

“Essa audiência pública já é um resultado positivo da nossa CPI. A Câmara Municipal entregou o relatório para os órgãos que fiscalizam não só o transporte coletivo, mas todos os serviços públicos de Campo Grande. A comissão do município pode ter papel fundamental em uma eventual intervenção e, posteriormente, em um chamamento público para uma nova empresa explorar esse serviço tão importante para a população campo-grandense”, declarou.

Também integrante da comissão parlamentar, a vereadora Luiza Ribeiro (PT) enfatizou a importância da atuação conjunta dos Poderes para buscar soluções para um dos principais desafios da cidade.

“Essa audiência mostra uma consequência do trabalho que a Câmara fez durante a CPI. Não é uma situação fácil de resolver, porque é um problema gigante da cidade, mas é urgente. Precisamos reunir forças para apontar soluções. As investigações da CPI foram sérias e profundas. O transporte coletivo é um tema urgente, que precisa ser estudado e analisado por todos os Poderes”, destacou.

A audiência pública promovida pelo Executivo marcou a última etapa dos trabalhos da comissão especial criada pela Prefeitura de Campo Grande para apurar possíveis irregularidades na concessão do transporte coletivo.

O grupo finaliza agora a elaboração de um relatório técnico que será encaminhado na próxima semana à prefeita Adriane Lopes (PP), responsável por definir quais medidas serão adotadas a partir das conclusões apresentadas.

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