A prevenção e o enfrentamento da violência e da exploração sexual infantil serão debatidos na próxima semana, no dia 18 de maio, às 8h30, na Câmara Municipal de Campo Grande.
A mobilização será marcada por ações educativas e palestras dentro da campanha Maio Laranja, movimento nacional de conscientização e combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes.
A campanha tem origem em Mato Grosso do Sul. Em 2017, ainda como deputado estadual, o vereador Herculano Borges foi autor da lei que instituiu o Maio Laranja no Estado. Posteriormente, a iniciativa ganhou reconhecimento nacional e passou a integrar oficialmente as ações do Ministério dos Direitos Humanos.
Para Herculano, o desafio vai além da criação de leis. Segundo ele, é preciso enfrentar um problema estrutural: o silêncio.
“Quando falamos em números, sabemos que eles não representam toda a realidade. Muitos casos continuam sem denúncia. O maior obstáculo ainda é o silêncio”, afirmou o vereador.
O parlamentar também alertou para a necessidade de romper com a ideia de que esse tipo de violência está distante da sociedade.
“Precisamos entender que esse crime acontece perto, muitas vezes dentro de casa, em ambientes de convivência familiar. Informação, conscientização e denúncia são fundamentais para proteger nossas crianças”, destacou.
O debate público reunirá representantes da Rede de Proteção à Infância, incluindo conselhos tutelares, órgãos de segurança, educação, assistência social, além de integrantes do Legislativo e do Executivo municipal. O objetivo é fortalecer a articulação entre instituições e ampliar o alcance das ações preventivas.
Maio Laranja
Maio é o mês dedicado à conscientização sobre o combate à violência sexual contra crianças e adolescentes. A campanha busca chamar atenção para uma realidade ainda marcada pelo silêncio e pela subnotificação dos casos.
Em 2026, o Maio Laranja ganha ainda mais relevância diante do crescimento das denúncias em todo o país e da gravidade dos casos registrados em Mato Grosso do Sul.
Dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania apontam que o Disque 100 registrou mais de 657 mil denúncias de violações de direitos humanos em 2024, um aumento de 22,6% em relação ao ano anterior. Em 2025, o serviço manteve alta demanda, reforçando a necessidade de fortalecimento das redes de proteção.
No recorte da violência sexual infantil, estimativas nacionais indicam que, a cada hora, sete casos de estupro de vulnerável são registrados no Brasil. Especialistas alertam, porém, que a realidade pode ser ainda maior, já que apenas cerca de 10% dos casos chegam oficialmente às autoridades.
Outro dado preocupante é que aproximadamente 80% dos casos acontecem dentro do ambiente familiar ou em círculos de confiança da vítima.
Além disso, o ambiente digital também passou a representar um novo espaço de vulnerabilidade. Somente em 2025, o Brasil registrou mais de 49 mil denúncias de abuso e exploração sexual infantil na internet.
Projeto NOVA amplia ações de prevenção
Dentro da programação do Maio Laranja, o Projeto NOVA Transforma, referência em atendimento psicossocial e prevenção de abusos, promove ao longo do mês uma série de ações voltadas à proteção da infância e adolescência.
Entre as iniciativas estão:
palestras preventivas em escolas públicas e privadas;
formação de profissionais da rede pública;
capacitações para pais e responsáveis;
ações em igrejas e comunidades religiosas;
desenvolvimento de materiais educativos voltados a adolescentes, abordando relacionamentos abusivos, riscos na internet e o conceito de “ECA Digital”.
Segundo a coordenadora do projeto, Viviane Vaz, o enfrentamento da violência exige mobilização permanente da sociedade.
“A violência contra crianças e adolescentes não pode ser naturalizada. Precisamos fortalecer as redes de proteção, ampliar a conscientização e garantir que cada criança tenha seu direito à infância preservado”, afirmou.
Um dos destaques da programação será o lançamento, no dia 12 de maio, de um livro inédito voltado à prevenção do abuso sexual traduzido para a língua Terena. O material será distribuído em 28 comunidades indígenas, ampliando o acesso à informação de forma culturalmente contextualizada.
Além das ações presenciais, a campanha reforça a importância dos canais de denúncia. Casos de violência podem ser comunicados de forma anônima pelo Disque 100.
Mais do que uma mobilização pontual, o Maio Laranja reforça um compromisso coletivo permanente: proteger crianças e adolescentes da violência e romper o silêncio que ainda encobre milhares de vítimas no país.
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