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Política

Câmara de Dourados cancela eleição antecipada da Mesa Diretora após alerta do Ministério Público

Promotoria apontou possível inconstitucionalidade na realização do pleito antes do marco temporal definido pelo STF

João Gabriel Vilalba
Capital News

A Câmara Municipal de Dourados cancelou a sessão extraordinária marcada para a próxima segunda-feira (6), na qual seria realizada a eleição da Mesa Diretora para o biênio 2027/2028. A decisão foi tomada após o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) alertar a presidência da Casa sobre possíveis irregularidades que poderiam resultar na anulação do pleito antecipado.

Em documento assinado na última terça-feira (30), o promotor Luiz Eduardo Sant'Anna Pinheiro, da 16ª Promotoria de Justiça de Dourados, apontou a ilegalidade da eleição antecipada, argumentando que o marco temporal constitucionalmente admitido para esse tipo de votação é o mês de outubro do último ano do mandato da Mesa em exercício.

A situação é semelhante à registrada na Câmara Municipal de Campo Grande, onde a reeleição do presidente Epaminondas Vicente Neto (Papy), realizada com 18 meses de antecedência, foi anulada pela Justiça com base no entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Ao justificar a convocação da eleição, a presidente da Câmara de Dourados, vereadora Liandra Brambilla (PSDB), afirmou que a antecipação está prevista no Regimento Interno da Casa, desde que haja decisão da Mesa Diretora e aprovação da maioria absoluta dos vereadores — o equivalente a 12 parlamentares.

No entanto, o promotor rejeitou esse argumento e destacou que a autonomia dos municípios não é absoluta, devendo respeitar os princípios constitucionais que regem a administração pública e o funcionamento das instituições democráticas.

Segundo o representante do Ministério Público, o STF consolidou o entendimento de que a eleição das Mesas Diretoras das Casas Legislativas deve observar a contemporaneidade em relação ao mandato que será exercido.

"A antecipação excessiva do pleito, além de injustificável, é prática inconstitucional, pois viola os princípios republicano — que pressupõe a alternância de poder e a temporariedade dos mandatos — e democrático, que exige que a representação política reflita, tanto quanto possível, a vontade popular mais atual", destacou o promotor no documento.

Ao final da manifestação, o Ministério Público concluiu que a eventual realização da eleição no dia 6 de julho poderia ser declarada nula de pleno direito, além de resultar na responsabilização dos envolvidos.

Até o momento, a Câmara Municipal de Dourados não anunciou uma nova data para a eleição da Mesa Diretora do biênio 2027/2028.

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