Assessoria de Imprensa da Câmara Municipal

Vereadores debatem em audiência problemas na saúde em Campo Grande
A Câmara Municipal de Campo Grande realizou uma audiência pública para debater o colapso da saúde na capital. Pacientes, representantes de hospitais, profissionais de saúde, além de integrantes do Ministério da Saúde e da Secretaria Municipal participaram do encontro, que discutiu a responsabilidade administrativa e possíveis medidas extraordinárias de intervenção estadual ou federal.
O cenário apresentado revela dificuldades estruturais e assistenciais graves, incluindo superlotação em unidades de pronto atendimento, escassez de medicamentos e insumos, paralisação parcial da atenção primária e fragilização da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). Relatórios do Conselho Municipal de Saúde também apontam irregularidades que comprometem a segurança de usuários e trabalhadores.
Hospitais da capital enfrentam desafios significativos. O Hospital Regional continua atendendo demandas de urgência e emergência, mas a gestão enfrenta limitações operacionais. A Santa Casa de Campo Grande lida com dificuldades financeiras e contratuais há dois anos, e experiências passadas de intervenção mostram que essa medida exige planejamento rigoroso e responsabilidade administrativa.
O Fórum das Entidades Representativas dos Usuários de Saúde apontou que há leitos ociosos em hospitais conveniados, como o Hospital Universitário e o Hospital do Câncer, mas sem recursos para utilização. Além disso, os profissionais de saúde enfrentam condições de trabalho difíceis, com falta de insumos básicos e até necessidade de arcar com itens essenciais, como material de limpeza e papel higiênico.
O Ministério da Saúde informou que o orçamento federal destinado à cidade ainda possui restos a pagar, enquanto os repasses estaduais e municipais têm se mostrado insuficientes. O secretário municipal de Saúde destacou que, mesmo com a atual reorganização administrativa, é necessário fortalecer a gestão e criar um plano de ação conjunto entre Município, Estado e União.
Diante da gravidade da situação, discutiu-se a possibilidade de intervenção excepcional, prevista legalmente, mas considerada um último recurso. A prioridade, segundo os gestores, é implementar um pacto institucional que assegure fluxo adequado de leitos, fornecimento regular de medicamentos, regulação eficiente de ambulâncias e atenção coordenada à população.
Pacientes relataram dificuldades diárias, como falta de insulina e outros medicamentos essenciais, evidenciando a urgência de soluções práticas e imediatas. Profissionais da saúde também mencionaram situações de agressão e tensão nos atendimentos devido à frustração dos usuários.
O Ministério Público acompanha de perto os problemas, com ações e procedimentos instaurados para avaliar falhas na prestação de serviços, tanto na rede municipal quanto em hospitais conveniados. A audiência reforça a necessidade de cooperação entre os entes federativos e de medidas estruturais para recuperar a confiança da população na saúde pública da capital.
A expectativa é que, até maio, novas reuniões avaliem os resultados das medidas adotadas e proponham ajustes para reduzir o colapso assistencial e melhorar a qualidade do atendimento na cidade.
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