O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) marcou o julgamento de um recurso do Ministério Público que pede a indisponibilidade de bens no valor de até R$ 106,4 milhões e o afastamento dos conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MS) Waldir Neves Barbosa e Iran Coelho das Neves.
O pedido está relacionado a supostas irregularidades em um processo licitatório que resultou na contratação da empresa Dataeasy Consultoria e Informática Ltda. Segundo o Ministério Público, a licitação teria sido direcionada para favorecer a empresa.
O recurso questiona decisão da 1ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos de Campo Grande, que extinguiu a ação sem análise do mérito. Conforme a decisão, o pedido deveria ter sido apresentado no processo principal, e não por meio de uma ação separada.
O Ministério Público recorreu da decisão e busca a retomada da análise dos pedidos de indisponibilidade de bens e afastamento dos agentes públicos. O valor indicado para o bloqueio é de R$ 106.494.585,76.
Defesas contestam ação
As defesas de Iran Coelho das Neves e Waldir Neves Barbosa alegam, preliminarmente, a inépcia da petição inicial, a prescrição e a inadequação da via escolhida para o processo.
No mérito, os advogados sustentam a legalidade dos atos administrativos e das contratações realizadas pelo TCE-MS.
Já as defesas dos réus particulares e das empresas citadas no processo, entre eles Rafael Manella Martinelli, Ronaldo Solon, Ricardo Brockveld, Murilo Alencar, Paulo Morandi, Douglas Avedikian e Willian Yoshimoto, argumentam, entre outros pontos, a ausência de vínculo com a licitação ou com a execução dos serviços.
O caso tem origem em investigações sobre o contrato firmado entre o TCE-MS e a Dataeasy. Em ação relacionada, o Ministério Público Federal já apontou supostas irregularidades no processo licitatório e na execução contratual, enquanto os acusados e suas defesas contestam as acusações.
O julgamento do recurso pelo TJMS poderá definir o prosseguimento dos pedidos apresentados pelo Ministério Público na esfera de improbidade administrativa.
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