Os governos do Brasil e da Bolívia assinaram nesta segunda-feira (16) um acordo para estreitar a cooperação no combate ao crime organizado. A medida ocorre em meio ao avanço de facções brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), que atuam nos dois países.
Nos Estados Unidos, o governo do presidente Donald Trump avalia classificar essas organizações como terroristas, por considerá-las ameaças à segurança regional. Caso a medida seja oficializada, pode haver impactos na estabilidade da fronteira entre Mato Grosso do Sul e o Departamento de Santa Cruz, na Bolívia.
Diante desse cenário, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, no Palácio do Planalto, o presidente boliviano Rodrigo Paz para discutir o tema.
“Brasil e Bolívia estão unidos na preocupação com a segurança pública. O acordo que assinamos hoje renova nosso compromisso com o combate ao crime organizado dos dois lados da fronteira”, afirmou Lula. “Ele prevê maior coordenação para prevenir e punir o tráfico de drogas e de pessoas, contrabando, roubo de veículos, lavagem de dinheiro, mineração ilegal e crimes ambientais”, acrescentou.
Durante a cerimônia, foram assinados acordos previamente negociados. Um deles trata da cooperação e coordenação no combate ao crime organizado, com foco em prevenção, repressão e investigação de crimes como tráfico de pessoas, narcotráfico, tráfico de armas, mineração ilegal, crimes ambientais e cibernéticos.
Outros dois acordos envolvem cooperação no setor turístico, com foco na promoção e capacitação. Também foi firmada parceria para interconexão elétrica entre os países, com a construção de linhas de transmissão entre o Departamento de Santa Cruz e Corumbá.
Durante o encontro, Lula e Paz também discutiram a integração de infraestrutura de transportes, incluindo rotas bioceânicas, além do incentivo ao uso de hidrovias para garantir à Bolívia acesso ao Oceano Atlântico para exportações.
Rodrigo Paz participou recentemente do encontro de líderes “Escudo das Américas”, promovido por Donald Trump, com a presença de 12 chefes de Estado e de governo. O evento, no entanto, não contou com a participação de países como Brasil, México e Colômbia.
Ideologia política
O encontro em Brasília também faz parte da estratégia de Luiz Inácio Lula da Silva de ampliar o diálogo com governos de diferentes orientações políticas na América Latina. Os dois líderes já haviam se encontrado em janeiro, no Panamá.
Ao comentar o cenário global, Lula afirmou que a integração regional é uma necessidade histórica. Ele também defendeu a adesão da Bolívia ao Mercosul como forma de fortalecer a autonomia do bloco diante das instabilidades internacionais.
O presidente brasileiro ainda mencionou episódios recentes de instabilidade política na Bolívia e no Brasil, como os atos de Ataques de 8 de janeiro de 2023.
“O futuro da nossa região depende da nossa capacidade de cooperar. Sem amarras ideológicas, sem violência, sem ódio, construiremos uma América Latina pacífica, integrada e próspera”, disse Lula.
Por sua vez, Rodrigo Paz destacou que a Bolívia decidiu “pelo voto, não pela violência” mudar os rumos do país. Ele afirmou que a relação entre Brasil e Bolívia é estratégica e não deve ser afetada por diferenças ideológicas ou conjunturas políticas. (Com informações do Portal R7)
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