A Justiça de Campo Grande determinou o afastamento imediato de 19 integrantes da diretoria corporativa e do conselho de administração da Santa Casa, além da supervisora do Serviço de Arquivo Médico e Estatística. A decisão foi assinada pelo juiz Eduardo Lacerda Trevisan, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, que também colocou a instituição sob gestão provisória por 180 dias.
Para comandar o hospital durante o período, foi nomeado Luiz Alberto Hiroki Kanamura, que já atuou como diretor técnico da Santa Casa. Segundo a decisão, ele possui “capacidade técnica, independência e experiência compatíveis com a complexidade da instituição”, além de conhecimento sobre a estrutura e o funcionamento do hospital. O prazo de 180 dias poderá ser prorrogado por igual período, caso a Justiça considere necessário.
Entre os afastados estão a presidente Alir Terra, que permanece presa, o presidente em exercício Heitor Miguel Scheibeler, o vice-presidente Ivan Araújo Brandão e integrantes das áreas administrativa e financeira. O juiz também proibiu que os dirigentes destituídos sejam reconduzidos aos cargos e determinou que eles não tenham acesso às dependências do hospital nem da operadora Santa Casa Saúde. Heitor Rodrigues Freire, que assumiria a presidência da instituição, também foi afastado pelo despacho.
Kanamura terá de cumprir 17 determinações durante a gestão, entre elas apresentar prestações de contas mensais, negociar com fornecedores e credores, reorganizar equipes e serviços, remanejar recursos e adotar medidas para regularizar as finanças da instituição. A Justiça também proibiu a contratação de novos empréstimos bancários e determinou que o gestor conduza as negociações para renovar o contrato da Santa Casa com o Município de Campo Grande, com participação do governo estadual.
A intervenção ocorre após a Operação Antidotum, deflagrada em 11 de setembro pelo Gaeco e pelo Gecoc. A investigação apura suspeitas de desvios em contratos de digitalização de prontuários e levou à prisão de integrantes da direção do hospital. Segundo a apuração, aproximadamente R$ 4,9 milhões teriam sido desviados em dois contratos. A Santa Casa também enfrenta uma crise financeira, com déficit acumulado superior a R$ 544 milhões e mais de R$ 261 milhões em empréstimos registrados no balanço de 2025.
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