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ENTREVISTA
Segunda-Feira, 23 de Julho de 2018, 17h:33
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MS exportou U$$ 945,7 milhões de celulose no primeiro semestre

Presidente da Reflore/MS fala sobre expectativas econômicas e políticas do setor

Esthéfanie Vila Maior
Capital News

Mato Grosso do sul tem 1,1 milhão de hectares de florestas plantadas. O Estado perde apenas para Minas Gerais, com 1,7 milhão de hectares. O setor também é um dos que mais exporta e impulsiona a economia. O Capital News conversou com o engenheiro florestal e presidente da Associação Sul-Mato-Grossense de Produtores e Consumidores de Florestas Plantadas (Reflore/MS), Moacir Reis, sobre o atual cenário, as expectativas econômicas e políticas.

Divulgação / Assessoria

MS exportou U$$ 945,7 milhões de celulose no primeiro semestre

 

Capital News - Mato Grosso do Sul exportou cerca de U$$ 945,7 milhões de celulose no primeiro semestre de 2018. Qual a importância econômica do setor para o estado? 

Moacir Reis - Dentro do setor florestal, existe o segmento de celulose, que compete em números diretamente com a soja. Em alguns meses do primeiro semestre, chegou até a ultrapassar. Em faturamento bruto, foi o produto que mais faturou no Estado. Sabemos que é algo novo em Mato Grosso do Sul. A primeira fábrica de celulose e papel foi a da VCP (Votorantim Celulose e Papel), que se instalou em Três Lagoas, em 2007 e 2008. Depois veio a fusão da VCP com a Aracruz e virou a Fibria. Logo em seguida, tivemos uma nova indústria, a Eldorado Brasil. Atualmente, Mato Grosso do Sul produz cerca de 4,5 até 5 milhões de toneladas por ano e Três Lagoas é praticamente a capital mundial da celulose. A Fibria duplicou a fábrica e a Eldorado Brasil também já anunciou a duplicação, que está prevista para 2020/2021. Ou seja, a produção do estado vai aumentar para 7 milhões de toneladas de celulose. Fora outros projetos que estão sondando MS, outros players que estão pensando em investir. Temos um potencial de floresta produtivas, com uma legislação ambiental tranquila e uma logística boa para escoar para São Paulo, Santos e Paranaguá. Só a Fibria e a Eldorado empregam diretamente 10 mil pessoas e são mais cerca de 50 mil pessoas na região de Três Lagoas sendo empregadas pelo setor de celulose e papel. A área florestal também tem outros segmentos importantes. A produção de ferro gusa é movida através de carvão vegetal de florestas plantadas. Mato Grosso do Sul, há dez anos atras, era um grande produtor. Temos seis alto-fornos no estado, destes apenas três estão em operação: dois em Corumbá e um em aquidauana. O segmento retomou nos últimos seis meses e gerou uma boa expectativa. 

 

Capital News - Quais as expectativas para os próximos meses?

Moacir Reis - Mato Grosso do Sul tem boas expectativas. Na região leste, é necessário tomar alguns cuidados para incentivar os produtores a plantarem. Hoje, existe um excesso de madeira. O setor florestal tem uma área de floresta significativa e uma sobra de madeira, devido algumas regiões que não tem aptidão florestal e expandiram o plantio, como norte e sul do estado. Isso deixou o mercado com sobra de madeira e o preço caiu. Apesar disso, a expectativa para os próximos meses é que o preço comece a melhorar devido a questão do aquecimento do ferro gusa. O setor de celulose vai bem, tem a matéria-prima já garantida e o mercado é muito estável. Como a exportação dos produtos é feita em dólar, a rentabilidade é interessante para o produtor florestal e para as indústrias de celulose. As expectativas para os próximos meses são boas. Apesar de ter uma turbulência política do país, sabemos que o setor caminha sozinho. Existe sim um pouco de receio por causa das eleições. Porém, os investimentos são a médio e longo prazo. Quando se planta uma árvore, tem que colher ela com seis anos. Então, é um investimento a longo prazo comparado com a soja, o milho e outras culturas. É um segmento que tem uma estabilidade de preço boa, desde que o produtor faça um planejamento florestal de onde vai plantar a floresta com o consumo.

 

Capital News - Como está o cenário do setor após a greve dos caminhoneiros? 

Moacir Reis - A greve atrapalhou um pouco sim. As empresas de celulose tinham estoque de madeira, então não chegaram a parar nenhuma fábrica. Mas outros setores, como o de ferro gusa, que depende muito da matéria prima e o estoque é baixo, foram afetados diretamente. Tanto que as indústrias ficaram paradas, principalmente em Corumbá e também em Aquidauana. Estimo que o prejuízo causado seja de R$ 5 a R$ 10 milhões. Também afetou o preço do carvão vegetal, que não parou de produzir e sobrou um estoque muito grande. Isso está se equilibrando agora, somente depois de quase dois meses do fim da greve.

 

Capital News - Foi necessário adotar alguma medida para minimizar os impactos?

Moacir Reis - Alguns setores foram a favor, outros contra a greve dos caminhoneiros. Orientamos a todos para aguardar a negociação com o Governo. Não chegou ser tomada nenhuma medida drástica, sobre aumentar ou diminuir a produção depois da paralisação. O Brasil precisa se estruturar. Os nossos custos são infinitamentes maiores que os de outros países que nem produzem combustível. A carga tributária está insuportável para o empresário. O Governo sempre fala que vai ter uma reforma tributária, mas isso nunca acontece. Optamos por não tomar nenhuma medida drástica, porque é algo muito complicado. Mandar parar de produzir gera desemprego, para de faturar. Temos certeza de que a greve foi boa de forma geral, mas a médio e longo prazo ela não teve um bom efeito. A curto prazo diminuiu o ICMS do Estado de 17% para 12%, baixou o diesel, que é o principal custo na produção hoje, principalmente devido a questão dos transportes e mecanização.

 

Capital News - Em relação às eleições 2018, tanto do Poder Executivo, quanto do Legislativo, quais são as expectativas do setor?

Moacir Reis - O setor florestal vai fazer uma pauta para os candidatos ao Governo do Estado e a Deputados. Nos últimos 12 anos o setor cresceu de forma exponencial, saímos de um pouco mais de 100 mil hectares para mais de 1 milhão de hectares. Nós temos algumas pautas ainda para cumprir e para fazer um plano de governo, principalmente em relação à legislação ambiental do setor florestal de Mato Grosso do Sul e à legislação ambiental geral de MS. Precisamos manter uma política de proteção ambiental, porém não podemos afetar o desenvolvimento econômico. Por isso MS cresce e desenvolve. Outros estados não conseguiram ter uma política ambiental confortável, que gerasse confiança para investidores. Os projetos que vieram para cá seriam em outros estados, que tem uma competitividade e logística melhores que o nosso. Porém, como temos uma legislação ambiental tranquila e segura, os investidores trouxeram os investimentos de celulose e papel. Temos que mostrar isso tanto para o Executivo, quanto para o Legislativo, porque a segurança jurídica é fundamental para qualquer investidor.

 

Algumas leis estão sendo analisadas, principalmente em relação à política de suprimento sustentável. Existe uma pressão grande sobre a madeira nativa. Nós temos o interesse que o consumo diminua, mas que não acabe de forma radical porque tem muita madeira regular e com abundância dentro do Estado. A Reflore e a Câmara Setorial de Floresta estão discutindo um posicionamento, vamos criar uma estratégia de consumo de madeira nativa dentro de MS. A cadeia produtiva que consome madeira nativa vai poder ser organizar e dar apoio ao poder público, aos órgãos fiscalizadores, como Ibama e Imasul. Sabemos que o desmatamento acontece. Com a tecnologia que existe hoje e as imagens de satélite podemos diminuir o desmatamento ilegal. Sabemos que a madeira de floresta plantada pode substituir a madeira nativa com segurança, inclusive certificada e exportada para vários locais do mundo.

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