Após dez dias de greve, os professores das escolas municipais de Campo Grande, retornaram as aulas nesta quinta-feira (20), mesmo sem nenhum acordo com a prefeitura. As reposições das aulas devem começar neste sábado, mas a confirmação das datas ainda não foi oficializada, já que a prefeitura ainda deve se reunir com os diretores das escolas para redefinir um calendário, para que os profissionais e alunos não se prejudiquem.
A paralisação começou no dia 6 de novembro, e o motivo que levou os educadores a abandonar as salas de aula, foi por conta do piso salarial, que é 8,46% inferior o que é estabelecido por lei para se cumprir uma jornada de 20 horas/aulas, por semana. Já quem está acima na estrutura de carreira terá o salário aumentado de R$ 2.347 para R$ 2.546. Os profissionais aguardam o reajuste desde outubro. E a categoria reivindica também o pagamento retroativo.
Mas na última sexta-feira (14), a justiça concedeu liminar a prefeitura, e suspendeu a lei que prevê o ajuste de 8,46% para a categoria. A lei foi aprovada em maio do ano passado, e os professores tinham como acordo, receber o pagamento com o devido ajuste em outubro desse ano. E o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul determinou que 80% dos professores retornassem às atividades, sob pena de multa de R$ 25 mil por dia de descumprimento da liminar, também a pedido da prefeitura da Capital.
Para a ACP (Associação Campo-Grandense dos Profissionais da Educação Pública), esse foi um dos motivos que levou a categoria a cessar a paralisação. Segundo a assessoria, os professores resolveram acabar com a greve por ‘estratégia’, por conta das férias que começam em dezembro. E outro ponto que levou a decisão é porque apenas 20% dos educadores das escolas do município se mantiveram em greve.
Há 29 anos, o professor e diretor da ACP, Geraldo Alves Gonçalves, de 65 anos, ensina a língua portuguesa em escolas públicas da Capital, e apesar de não receber o piso salarial que é de R$ 1.697,00, por 20 aulas semanais, ele garante que ainda acredita que a categoria vá conseguir negociar com a prefeitura da Capital, e descarta a ideia de que se o acordo não acontecer ainda em 2014, o próximo ano começará em greve. “Não faremos isso, vamos continuar lutando, mas voltaremos a dar aula”, afirma.
Segundo o professor, o prefeito Gilmar Olarte garantiu que irá se reunir com os profissionais para enfim chegar a um ponto interessante para ambos os lados.
