Já se passaram 17 semanas da eliminação de Ilmar Renato no Big Brother Brasil deste ano, no qual 110 milhões de pessoas participaram da votação recorde do programa em um paredão. O advogado deixou o reality show, voltou para o Mato Grosso do Sul, teve o carro roubado e até agora nenhuma empresa da região usou o potencial de venda da imagem do moço, que apesar da ligação com o PT consegue ser blindado de rejeição. Mamão, como é conhecido, tem ideias, carisma e forte apelo nas redes sociais mas a falta de expertise para licenciamentos de celebridade no Mato Grosso do Sul subaproveita essa condição.
“Alguém tem contato com donos de empresas de erva mate (tereré) daqui de MS? Tô com uma ideia boa!”, postou recentemente o BBB no Facebook, sem revelar o projeto que vem matutando. O que ficou sem mistério foi a necessidade de iniciativa do próprio Ilmar Renato em vender, algo que deveria ter uma lógica inversa já que ele próprio é o ativo a ser explorado.
“Não consumimos produtos, mas sim a imagem que temos deles”, lembra o Autor do livro "Marketing de Conteúdo: A Moeda do Século XXI", Rafael Rez, sobre o valor que a percepção da identidade social de um produto ou serviço tem na faculdade de comercialização do posicionamento.
A última edição do programa, com grande audiência, não rendeu a outros participantes o acesso a publicidades e badalação no mundo dos licenciamentos, com exceção dos gêmeos Antônio e Manuel, que após saída da casa do BBB tiveram uma aparição no mesmo reality show da Espanha. Em outros anos, inclusive em nichos regionais, modelos que tiveram entrada no programa, como Eliéser Salgado de Maringá, conseguiram alavancar merchandising com maior facilidade, muito por conta do momento da economia.
A jornalista campo-grandense Priscila Pires, do BBB 9, é também exemplo da imersão na fama em época que a crise ainda era um prognóstico raro. Para se ter uma idéia, em 2010 o Brasil experimentou um crescimento recorde na década, na ordem de 7,5%, onda que aqueceu muitos mercados e por tabela o da publicidade e o de licenciamentos de imagem.
“Houve crescimento de emprego e da massa salarial e, no início do ano, os incentivos sobre automóveis. Isso tudo dá um impacto sobre consumo e o aumento da indústria. Houve produção recorde no ano”, destacou na época reportagem do jornal O Globo, em consulta a Coordenação de Contas Nacionais do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Apaixonado pelo Mato Grosso do Sul, pela causa indígena e pelo tereré, Ilmar Renato é uma figura pública que transcende a esfera comercial em razão do seu viés político. Entretanto a mesma inércia do empresariado em agregar com essa imagem é a do PT, partido que pode perder o advogado se não buscar um aquecimento da sua política de base.




