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Mato Grosso do Sul

Andropausa afeta até 20% dos homens acima dos 60 anos e pode surgir antes dos 40

Queda da testosterona provoca sintomas físicos, emocionais e sexuais, mas muitos homens desconhecem a condição

Elaine Oliveira
Capital News

Cansaço constante, irritabilidade, perda da libido, dificuldade de concentração e alterações de humor podem ser mais do que sinais do envelhecimento ou do estresse diário. Esses sintomas podem indicar a andropausa, condição também conhecida como Deficiência Androgênica do Envelhecimento Masculino (DAEM), caracterizada pela redução gradual dos níveis de testosterona.

De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), cerca de 20% dos homens com mais de 60 anos apresentam a condição. Apesar disso, 57% da população masculina desconhece a existência do problema, o que contribui para o atraso no diagnóstico e no tratamento.

Diferentemente da menopausa feminina, a andropausa não ocorre de forma repentina e nem afeta todos os homens da mesma maneira. Ainda assim, seus impactos podem comprometer significativamente a saúde física, emocional e sexual.

Divulgação

Henrique Rodrigues Scherer

Henrique Coelho

Segundo o urologista e especialista em saúde íntima masculina, Dr. Henrique Coelho, embora seja mais frequente após os 60 anos, a deficiência hormonal também pode atingir homens mais jovens.

“A testosterona começa a diminuir gradualmente a partir dos 40 anos, mas isso não significa que homens mais jovens estejam livres do problema. Temos observado pacientes com menos de 40 anos apresentando sintomas importantes relacionados à deficiência hormonal que precisa ser investigada”, explica.

A testosterona desempenha papel fundamental em diversas funções do organismo, incluindo manutenção da massa muscular, densidade óssea, produção de células sanguíneas, disposição física e desempenho sexual. Quando os níveis hormonais caem além do esperado, surgem sintomas que vão muito além da vida íntima.

Entre os principais sinais estão diminuição do desejo sexual, disfunção erétil, perda de massa muscular, aumento da gordura abdominal, fadiga persistente, irritabilidade, ansiedade, dificuldades de memória e concentração, além do aumento do risco de osteoporose e síndrome metabólica.

Para o especialista, um dos maiores desafios é diferenciar o envelhecimento natural de um quadro clínico que exige acompanhamento médico.

“Nem todo homem que envelhece precisa de reposição hormonal. O diagnóstico exige avaliação médica, histórico clínico e exames laboratoriais. A reposição só deve ser indicada quando há sintomas compatíveis”, alerta.

Com o crescimento da população masculina acima dos 60 anos, especialistas reforçam a importância do acompanhamento preventivo para identificar alterações hormonais e outras doenças que podem comprometer a qualidade de vida.

“O homem ainda procura assistência médica com menos frequência do que deveria. Os exames preventivos permitem identificar alterações precocemente e iniciar o tratamento adequado antes que o problema comprometa a qualidade de vida”, destaca Dr. Henrique Coelho.

O médico reforça que a queda da testosterona não deve ser encarada como uma consequência inevitável do envelhecimento. “Quanto mais cedo o diagnóstico é feito, maiores são as chances de preservar a saúde física, emocional e sexual”, conclui.

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