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Saúde Mental

Atendimentos por vício em apostas mais que dobram em Campo Grande

Casos atendidos nos Caps de Campo Grande cresceram 110% no primeiro semestre de 2026, segundo a Sesau

Viviane Freitas
Capital News

Divulgação

Casos atendidos nos Caps de Campo Grande cresceram 110% no primeiro semestre de 2026, segundo a Sesau

Casos atendidos nos Caps de Campo Grande cresceram 110% no primeiro semestre de 2026, segundo a Sesau

O número de pessoas que procuraram atendimento por dependência em apostas on-line nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) de Campo Grande cresceu 110%. Dados da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) mostram que os atendimentos passaram de 50 em 2024 para 105 apenas nos seis primeiros meses de 2026. Em 2025, foram registrados 162 atendimentos ao longo de todo o ano.

Segundo a psicóloga clínica Ana Paula Taveira, a popularização das plataformas de apostas e a facilidade de acesso pelos celulares contribuíram para o aumento dos casos. "O fácil acesso aos aplicativos por meio dos smartphones e a intensa exposição às propagandas contribuíram significativamente para a escalada de novos casos", afirmou.

A especialista explica que os principais sinais de dependência incluem dificuldade para parar de apostar, necessidade de investir valores cada vez maiores, ansiedade, irritabilidade, mudanças de humor e a tentativa constante de recuperar o dinheiro perdido. Ela alerta que o vício também pode provocar depressão, conflitos familiares, endividamento e, em situações graves, colocar a vida da pessoa em risco.

Uma família de Campo Grande viveu esse drama após a esposa começar a apostar motivada pela promessa de ganhos rápidos. Com as perdas, ela contraiu empréstimos, inclusive com agiotas, e acumulou dívidas. Para tentar pagar os débitos, o marido vendeu bens da família e passou a trabalhar como motorista de aplicativo, mas o casal ainda enfrenta dificuldades financeiras.

A Rede de Atenção Psicossocial (Raps) oferece atendimento para pessoas com esse tipo de dependência. Casos mais leves podem ser acompanhados nas Unidades de Saúde da Família (USFs), enquanto pacientes com maior necessidade de cuidados são encaminhados aos Caps, onde recebem atendimento com psicólogos, psiquiatras, grupos terapêuticos e apoio aos familiares.

Especialistas orientam que pessoas com sinais de dependência ou familiares que identifiquem mudanças de comportamento procurem ajuda o quanto antes. Quanto mais cedo o tratamento é iniciado, maiores são as chances de controlar o vício e reduzir os prejuízos emocionais, financeiros e sociais.

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