Campo Grande/MS, Segunda-Feira, 16 de Setembro de 2019 |
27˚
(67) 3042-4141
Colunistas
Quinta-Feira, 11 de Julho de 2019, 12h:33
Tamanho do texto A - A+
Colunistas

Sommar: a ilha norueguesa que quer parar o tempo

Por Raphael Granucci

Da coluna Viagens
Artigo de responsabilidade do autor

Moradores da região, ao norte de Oslo, têm luz do sol apenas durante 69 dias no ano

Divulgação

ColunaViagens

Oslo, Noruega

Os cerca de 300 habitantes da Ilha de Sommar, ao norte da Noruega, querem abolir o uso do relógio. Como passam a maior parte dos dias sem a luz do sol, o ritmo do cotidiano é contado de uma forma diferente dos locais em que há, de fato, dia e noite. No final de maio, eles convocaram uma assembleia e decidiram, em definitivo, colocar a ideia em prática: acabar com o sistema de horas.

Segundo a TV pública norueguesa, a NRK, o acordo prevê, na verdade, que a contagem dos horários não seja tão rígida como é em outros locais. Nesse período do ano, Sommar vive uma rotina totalmente distinta: na metade da noite, próximo às 2 da manhã em Paris, na França, por exemplo, é possível ver crianças jogando futebol na rua, pessoas pintando suas casas ou cortando o jardim, disse o proponente da ideia, Kjell Ove Hveding, ao jornal espanhol El País.

"Nosso objetivo é proporcionar máxima flexibilidade no tempo disponível. Se eu quero cortar o jardim às 4 da madrugada, por que não?", questionou.

Apesar do apoio geral dos moradores, alguns deles duvidam de que a medida terá êxito. Sommar, ao contrário do que ocorre no inverno, tem 69 dias de luz plena constante no verão europeu - é a janela de luz do sol do ano todo. De acordo com a NRK, a ideia não é apoiada pelos hotéis, pelos órgãos governamentais instalados na ilha e pelas empresas.

Hveding, por sua vez, já pensa até no símbolo da anulação do tempo após a medida ser tomada: prender todos os relógios de Sommar na ponte que separa a ilha do município à que pertence, Tromso, e transformá-la em um ponto turístico. Ele acredita que o fenômeno pode fazer com mais gente visite a região, que é acessível por meio de passagens aéreas baratas compradas para quem sai do aeroporto de Oslo, a capital da Noruega.

Ele contou ao El País que a ideia recebeu apoio de outras regiões remotas do norte da Noruega que enfrentam as mesmas questões físicas. Apesar da animação, a ideia precisa passar pela votação do Parlamento local e do Legislativo nacional, conhecido como Storting.

A mesma situação ocorre com a cidade de Utqiaġvik, conhecida antes como Barrow, no Alasca (EUA), que costuma passar dois meses sem luz do sol entre novembro e janeiro de cada ano. Isso acontece porque o norte do estado do Alasca se encontra sobre o Círculo Ártico, o anel de latitude que rodeia a gelada região polar ártica. Cidades próximas como Kaktovik, Point Hope e Anaktuvuk Pass também compartilham a escuridão.

A penumbra prolongada é conhecida no país como "noite polar" e é comum nos lugares localizados dentro dos círculos polares, que costumam passar mais de 24 horas sem sol. A questão é que, em Utqiaġvik, o fenômeno é alongado: são 65 dias sem a luz solar.

Ainda que tudo pareça muito tenebroso, muitas pessoas assinalam que há uma vantagem que também não há em nenhum lugar do mundo: quando chega o verão, a pequena cidade do Alasca vive o fenômeno inverso, ou seja, os habitantes desfrutam de 80 dias seguidos sem que o sol se ponha.

NENHUM COMENTÁRIO

Clique aqui para "COMENTAR ESTA NOTÍCIA" e seja o primeiro a comentar!
Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!

LEIA MAIS SOBRE ESSE ASSUNTO

Trinix