Edson Fachin reagiu à escalada da crise no Supremo com uma sequência de decisões que, na prática, recolocam a Presidência da Corte no centro do jogo. A principal delas foi retirar Alexandre de Moraes da relatoria do inquérito das fake news, depois de mais de sete anos sob o comando do ministro. Fachin assumiu o processo e preservou as decisões já tomadas por Moraes.
Na mesma ofensiva, Fachin suspendeu as decisões conflitantes de André Mendonça e Flávio Dino sobre o comando da Polícia Federal, mantendo provisoriamente Andrei Rodrigues no cargo. O recado é direto: ministro contra ministro, com decisões que se anulam em sequência, virou ameaça à própria autoridade do Supremo. Fachin classificou o conflito como uma “grave lesão à ordem pública” e determinou que novas investigações envolvendo ministros do STF passem previamente pela Presidência.
O ponto politicamente mais sensível, porém, ficou para a sessão da próxima terça-feira, quando o plenário da Corte deverá analisar a possibilidade de investigação sobre Moraes no episódio envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o Banco Master. Fachin, portanto, não está simplesmente protegendo Moraes nem atendendo a seus adversários: está retirando o caso das disputas individuais e levando a decisão para o colegiado.
A leitura política é que Fachin tenta recuperar a autoridade da Presidência do STF justamente quando a Corte mais expõe suas divisões. O problema é que a intervenção também deixa evidente o tamanho do racha: decisões monocráticas passaram a se sobrepor, ministros trocaram acusações e até ex-integrantes do Supremo e vários setores da sociedade civil cobraram uma resposta institucional. Fachin ganhou o controle da pauta, mas agora terá de provar que consegue transformar esse controle em uma saída para a crise — sem parecer que está apenas administrando os danos.
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