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Dark House

Marcos Pollon aparece em relatório da PF sobre emendas para filme de Bolsonaro

Deputado do PL-MS teria destinado R$ 1 milhão à Academia Nacional de Cultura, segundo documento citado em decisão de Flávio Dino

João Gabriel Vilalba
Capital News

Divulgação

Deputado federal Marcos Pollon (PL)

Deputado federal Marcos Pollon (PL)

O nome do deputado federal Marcos Pollon (PL-MS) aparece em um relatório da Polícia Federal como um dos parlamentares que destinaram emendas para a realização do filme "Dark Horse", cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), segundo aponta a PF. Outro nome que aparece nas investigações é o da deputada federal Bia Kicis (PL-DF).

A informação consta na decisão do ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), que autorizou, nesta quinta-feira (10), uma operação da PF no âmbito do caso.

De acordo com a Polícia Federal, Marcos Pollon enviou R$ 1 milhão para a Academia Nacional de Cultura, presidida por Karina Ferreira da Gama, produtora do longa-metragem e um dos alvos da operação desta quinta-feira. Por sua vez, Bia Kicis direcionou R$ 150 mil à mesma instituição.

Segundo a PF, os valores foram destinados "por intermédio do Governo do Estado de São Paulo, ao projeto denominado 'Heróis Nacionais', não tendo havido, até a presente data, repasse de qualquer valor a essa entidade, em razão de óbices normativos e técnicos na celebração do respectivo termo de parceria".

Nas redes sociais, o deputado Marcos Pollon negou quaisquer irregularidades e ressaltou que a emenda não chegou a ser paga. O parlamentar também afirmou que escolheu o projeto em defesa da cultura.

"Sempre defendi que a direita não pode abandonar a cultura e deixar que a esquerda decida o que os brasileiros devem aprender sobre a própria história, ensinando mentiras aos nossos filhos e netos", afirmou no X.

Procurada pela CNN Brasil, a deputada federal Bia Kicis afirmou, em nota (leia a íntegra ao final deste texto), que a emenda no valor de R$ 150 mil foi destinada à produção de episódios da série "Heróis Nacionais". No entanto, observou a parlamentar, a quantia indicada por ela sequer chegou a ser paga.

"Diante disso, a deputada reafirma que a destinação dos recursos observou rigorosamente os princípios da administração pública e atendeu ao interesse coletivo, contribuindo para a educação, a cultura e o desenvolvimento econômico", diz trecho do comunicado.

O que diz a PF

"Ademais, a Academia Nacional de Cultura (ANC), inscrita no CNPJ sob o nº 38.244.438/0001-98, também presidida por Karina Ferreira da Gama, foi indicada como beneficiária de emendas parlamentares de autoria dos Deputados Federais Marcos Pollon (emenda nº 202444200010, no valor de R$ 1.000.000,00) e Bia Kicis (emenda nº 202439190003, no valor de R$ 150.000,00), destinadas, por intermédio do Governo do Estado de São Paulo, ao projeto denominado 'Heróis Nacionais', não tendo havido, até a presente data, repasse de qualquer valor a essa entidade, em razão de óbices normativos e técnicos na celebração do respectivo termo de parceria."

Entenda o caso

A PF (Polícia Federal) cumpre, nesta quinta-feira (10), 49 mandados de busca e apreensão contra nomes ligados ao financiamento do filme "Dark Horse", cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Karina Gama, dona da produtora responsável pela produção do filme, e o deputado federal Mario Frias (PL-SP) estão entre os alvos.

A operação Make Up foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), e apura supostas irregularidades na destinação de R$ 2 milhões em emendas parlamentares repassadas ao ICB (Instituto Conhecer Brasil), de Karina.

A suspeita é de que parte do valor total não teria comprovação de utilização por meio de notas fiscais.

Ao todo, são 53 alvos, sendo 29 pessoas físicas e 24 pessoas jurídicas. Foram cumpridos mandados em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal, em ação conjunta com a CGU (Controladoria-Geral da União).

As investigações apontam a existência de uma "organização criminosa formada por agentes públicos e privados", que é suspeita de direcionar os valores recebidos para empresas subcontratadas de forma irregular e sem comprovação da efetiva prestação dos serviços contratados.

Além dos mandados cumpridos pelos agentes, Dino também determinou que os 29 investigados não poderão sair do país sem autorização e estão proibidos de se comunicar entre si.

O financiamento do filme "Dark Horse" é alvo de dois inquéritos no STF. Um deles é relatado pelo ministro André Mendonça e o outro, que mira o possível direcionamento de emendas, tem Dino como relator.

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