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Fronteira do Negócio Domingo, 04 de Outubro de 2026, 15:43 - A | A

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Coluna Fronteira do Negócio

Na hora de pesquisar preço, brasileiro já procura mais “semaglutida” do que “Ozempic”

Por Luisa Pereira

Da coluna Fronteira do Negócio
Artigo de responsabilidade do autor

Dados do Google mostram que a virada aconteceu em junho, mês em que a primeira versão nacional chegou às farmácias

Pixabay

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Até o ano passado, quem queria saber quanto custava a caneta de semaglutida digitava “Ozempic” no Google. Em agosto de 2025, segundo levantamento da Rank Certo com dados do Google, a busca “ozempic preço” teve 110 mil pesquisas no Brasil, contra 27,1 mil de “semaglutida preço”. Em agosto de 2026, a ordem se inverteu: 60,5 mil pesquisas pelo preço da semaglutida e 33,1 mil pelo preço do Ozempic.

A troca não se repete no Mounjaro, caneta da mesma classe cuja patente continua em vigor. Em agosto, “mounjaro preço” somou 135 mil buscas, quatro vezes as 33,1 mil de “tirzepatida preço”, o nome do princípio ativo. A diferença entre os dois casos é que, na semaglutida, a concorrência já chegou às farmácias.

A patente da semaglutida, que pertencia à dinamarquesa Novo Nordisk, expirou em 20 de março. Em maio, a Anvisa aprovou o Ozivy, da EMS, primeira semaglutida sintética fabricada no país, vendido desde 15 de junho a partir de R$ 452 por caneta. Em agosto, a agência registrou os dois primeiros genéricos, da EMS e da Germed, sem preço nem data de venda definidos na ocasião. Em 4 de setembro chegou às farmácias a Semavy, da Mantecorp, a R$ 333.

A virada tem data

No Google Ads, que estima o volume mensal de buscas, “semaglutida preço” passou “ozempic preço” em junho, com 40,5 mil pesquisas contra 33,1 mil. No Google Trends, que mede o interesse semana a semana, os dois termos alternaram a liderança entre junho e o início de agosto. A partir da semana iniciada em 16 de agosto, a molécula ficou à frente em todas as semanas medidas, até o fim de setembro.

Divulgação

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Gráfico 1. Buscas mensais por “ozempic preço” e “semaglutida preço” no Brasil, de setembro de 2025 a agosto de 2026. Fonte: Google Ads via DataForSEO.

A mesma troca aparece na busca pelo nome, sem a palavra “preço”. “Ozempic” caiu de 550 mil buscas em agosto de 2025 para 201 mil em agosto de 2026, enquanto “semaglutida” subiu de 165 mil para 301 mil. O Ozivy, que tinha menos de 50 buscas mensais até abril, chegou a 301 mil em julho e em agosto, mais do que o próprio Ozempic.

Parte dessa queda, porém, não tem relação com a patente. As buscas por “Ozempic” começaram a recuar em outubro de 2024, quando as pesquisas por Mounjaro dispararam, mais de um ano antes de a exclusividade acabar.

O teste do Mounjaro

O levantamento partiu de uma hipótese mais simples: o fim da patente teria feito o brasileiro trocar a marca pela molécula. Para testá-la, a Rank Certo mediu na mesma janela o par Mounjaro e tirzepatida, remédio da mesma classe que não passou pelo fim da exclusividade. Se a troca fosse um hábito de toda a categoria, apareceria nos dois.

Na busca pelo nome, ela aparece nos dois. Para cada busca por “Mounjaro”, as buscas por “tirzepatida” passaram de 0,25 em agosto de 2025 para 0,82 em agosto de 2026. Pesquisar pelo princípio ativo virou costume da categoria, e esse ganho não pode ser creditado à patente.

Na busca por preço, os dois casos se separam. A tabela abaixo traz os volumes de agosto dos três últimos anos.

Busca no Google

 ago/2024 

 ago/2025 

 ago/2026

"ozempic preço"

165.000

110.000

33.100

"semaglutida preço"

14.800

27.100

60.500

"mounjaro preço" (controle)

90.500

301.000

135.000

"tirzepatida preço" (controle)

22.200

33.100

33.100

Buscas mensais no Brasil em agosto. Fonte: Google Ads via DataForSEO, coleta em 29/09/2026.

Na semaglutida, a molécula passou a marca: em agosto de 2026 houve 1,83 busca pelo preço da semaglutida para cada busca pelo preço do Ozempic no Google Ads, e 1,29 no Google Trends. No Mounjaro, a proporção também subiu, mas a marca segue muito à frente, com 0,25 no Ads e 0,33 no Trends. Ali, as buscas por “tirzepatida preço” ficaram estáveis em 33,1 mil nos dois agostos; o que mudou foi a queda de “mounjaro preço”.

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Gráfico 2. Buscas pela molécula para cada busca pela marca, termos seguidos de “preço”, agosto de 2025 e agosto de 2026. No Google Trends, as mesmas razões são 0,26 e 1,29 (semaglutida) e 0,13 e 0,33 (tirzepatida).

Em Mato Grosso do Sul

O estado segue o padrão nacional em escala menor. Em agosto de 2026, “semaglutida” teve 2.900 buscas em Mato Grosso do Sul, contra 1.600 de “ozempic” e 1.600 de “ozivy”. Na busca por preço, foram 480 pesquisas por “semaglutida preço” e 70 por “ozempic preço”. São números pequenos, que indicam direção e por isso não foram convertidos em percentual. No par de controle, “mounjaro” teve 12.100 buscas no estado e “tirzepatida”, 9.900.

O que isso significa para os consumidores e para o mercado?

Para o consumidor, a mudança de palavra acompanha uma mudança de oferta. Até março, pesquisar o preço do Ozempic era pesquisar o preço da única caneta de semaglutida à venda. Hoje, a mesma substância aparece nas farmácias sob nomes diferentes, com preços que começam em R$ 333, e os genéricos, quando chegarem ao balcão, serão identificados pelo nome do princípio ativo. Buscar por “semaglutida” é o caminho que traz todas as opções de uma vez.

Comparar preço, porém, não resolve a escolha do produto. Indicação, dose e registro variam entre as versões: o Ozivy, por exemplo, está registrado para diabetes tipo 2. Todas exigem receita, e a troca entre elas é decisão do médico.

Para o mercado, o dado mostra quanto vale a exclusividade de um nome. O Ozempic foi, por anos, a palavra que o brasileiro usava no Google para a categoria inteira. Na busca por preço, deixou de ser em três meses de concorrência nas farmácias. Fabricantes, redes de farmácia e lojas online que anunciam só pelo nome da marca falam hoje com uma parcela menor de quem está pesquisando preço.

O Mounjaro mostra o outro lado. Sem concorrente com a mesma molécula, a marca segue dona da busca por preço, com quatro pesquisas para cada uma pelo nome “tirzepatida”. Os dados não permitem prever o que acontecerá quando essa patente também cair, mas indicam o que observar: se a busca pelo princípio ativo passar a da marca logo depois da chegada de concorrentes, o caso do Ozempic terá deixado de ser exceção.

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