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Fronteira do Negócio Sábado, 26 de Setembro de 2026, 13:41 - A | A

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Coluna Fronteira do Negócio

62% dos consumidores pretendem comprar na Black Friday 2026

Por Luisa Pereira

Da coluna Fronteira do Negócio
Artigo de responsabilidade do autor

Pesquisa aponta que mais da metade dos brasileiros já começam a buscar os valores dos produtos com um mês de antecedência

Pexels

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A Black Friday de 2026 já entrou no radar dos consumidores brasileiros. Marcada para 27 de novembro, a data deve movimentar milhões de pessoas em busca de descontos, mas o comportamento de compra começa bem antes da última sexta-feira do mês. Segundo uma pesquisa do Opinion Box em parceria com a Dito, 62% dos consumidores afirmam que pretendem comprar durante a Black Friday deste ano.

O interesse pela data também aparece em outros levantamentos sobre o comportamento do consumidor. Uma pesquisa da LWSA, realizada com 1.044 pessoas de todas as regiões e classes sociais, mostra que 50% dos entrevistados começam a pesquisar ofertas com mais de um mês de antecedência. O levantamento foi realizado entre 31 de julho e 19 de agosto de 2026, por meio do Painel de Consumidores Opinion Box.

Os dados indicam uma mudança na dinâmica tradicional da Black Friday. Em vez de esperar pela sexta-feira para decidir o que comprar, parte dos consumidores começa a acompanhar preços, comparar produtos e organizar o orçamento semanas antes da data.

Compras se espalham ao longo de novembro

A antecipação também influencia o momento em que as compras são realizadas. De acordo com a pesquisa da LWSA, 54% dos consumidores pretendem distribuir suas compras ao longo de novembro, aproveitando as ofertas que surgirem durante o mês. Apenas 20% afirmam que planejam concentrar as compras exclusivamente na sexta-feira, 27 de novembro.

O planejamento financeiro acompanha esse comportamento. Ao todo, 72% dos entrevistados dizem se preparar financeiramente para a Black Friday. Entre eles, 34% reservam dinheiro nos meses anteriores ao evento, enquanto 19% fazem essa preparação ao longo do ano.

A estratégia também pode se estender para depois da Black Friday. O levantamento aponta que 47% dos consumidores consideram deixar algum produto para comprar na Cyber Monday, realizada na segunda-feira seguinte à data.

O cenário mostra que a Black Friday deixou de funcionar apenas como uma oportunidade de compra concentrada em 24 horas. Para muitos consumidores, o período envolve pesquisa, comparação de preços e decisões distribuídas ao longo de várias semanas.

Roupas, eletrônicos e eletrodomésticos estão entre os mais procurados

Entre os produtos que aparecem no radar dos consumidores estão categorias ligadas tanto a necessidades do dia a dia quanto a itens que despertam desejo de compra.

Segundo a pesquisa da LWSA, eletrônicos lideram a intenção de compra, citados por 50% dos entrevistados, seguidos por eletrodomésticos, com 44%, e roupas, com 41%. Na sequência aparecem produtos de beleza e cuidados pessoais (32%), viagens (29%), sapatos (25%) e itens de decoração e utensílios para casa (24%).

Dentro desse cenário, a moda feminina aparece como um segmento relevante para o período, especialmente considerando a forte presença da categoria de moda entre os consumidores que demonstram afinidade com a Black Friday.

A pesquisa também mostra que a motivação para aproveitar as promoções vai além das compras por impulso. Para 55% dos entrevistados, a principal razão é adquirir itens de necessidade. Outros 51% pretendem comprar produtos de desejo, enquanto 31% planejam substituir produtos antigos.

Antecipar compras de Natal também aparece entre os motivos, citado por 30% dos consumidores.

Público da Black Friday tem forte presença no ambiente digital

O perfil traçado pela Serasa Experian, a partir de uma análise de mais de 189 milhões de CPFs, reforça a importância do ambiente digital para o período. O estudo identificou cerca de 23,5 milhões de adultos com afinidade com a Black Friday.

Dentro desse grupo, 86,4% apresentam perfil de compradores online, enquanto esse percentual é de 45,3% na população geral analisada pela empresa. O levantamento também identificou uma concentração maior de consumidores classificados pela Serasa Experian como “caçadores de descontos”: eles representam 52,8% do público com afinidade com a Black Friday, contra 18,4% na população geral.

A relação com a moda também aparece de forma significativa. 58,4% desse público são compradores da categoria de moda, contra 29,9% na população geral analisada.

O perfil financeiro, porém, não é homogêneo. Segundo a análise da Serasa Experian, 53,5% dos consumidores com afinidade com a Black Friday têm renda mensal de até R$ 4 mil, enquanto 46,5% estão acima dessa faixa. Isso inclui diferentes grupos de renda, desde consumidores que recebem até R$ 2 mil por mês até aqueles com renda superior a R$ 10 mil.

Celular e marketplaces ganham espaço na jornada

A pesquisa da LWSA também mostra que a jornada de compra acontece em diferentes canais. Os marketplaces são o principal ponto de partida para a busca por produtos, citados por 56% dos consumidores. Na sequência aparecem sites de marcas e lojas, com 42%, e aplicativos próprios, com 33%.

Na hora de efetivamente realizar a compra, porém, os sites das próprias lojas assumem a liderança, mencionados por 55% dos entrevistados. Aplicativos aparecem com 40%, enquanto marketplaces são citados por 37%.

O celular é o principal dispositivo utilizado nas compras online: 73% dos consumidores afirmam utilizá-lo, contra 21% que preferem o computador e 6% que usam tablets.

A inteligência artificial também começa a participar dessa jornada. Segundo a pesquisa, 13% dos consumidores já utilizam plataformas como ChatGPT, Gemini e Claude como ponto de partida para pesquisar produtos. Entre esse grupo, 63% afirmam usar essas ferramentas sempre ou frequentemente para esse tipo de busca.

Apesar da presença crescente da tecnologia, a confiança em avaliações feitas por pessoas continua relevante. Comentários de outros consumidores nas páginas dos produtos influenciam 70% dos entrevistados, enquanto recomendações de amigos e familiares aparecem para 62%.

Frete e condições de pagamento podem pesar na decisão

Encontrar um produto com desconto não é o único fator considerado na hora da compra. O frete também pode determinar se o consumidor conclui ou abandona o pedido.

Na pesquisa da LWSA, 55% afirmam procurar sempre por frete grátis, mesmo que isso signifique esperar mais pela entrega. Além disso, 36% dizem que desistiriam de uma boa oferta por causa da cobrança do frete.

As condições de pagamento também fazem parte do planejamento. Entre os consumidores pesquisados, 44% pretendem gastar mais de R$ 1 mil durante a Black Friday. O cartão de crédito parcelado sem juros aparece como o meio de pagamento mais citado, com 58%, seguido pelo Pix, com 39%.

Para 56%, a possibilidade de parcelamento é sempre ou frequentemente decisiva para concluir uma compra. Já o desconto oferecido no Pix aumenta ou é decisivo para a intenção de compra de 59% dos entrevistados.

Uma Black Friday que começa antes e vai além da sexta-feira

Os diferentes levantamentos apontam para um consumidor que chega à Black Friday de 2026 mais preparado e conectado a diferentes canais de pesquisa e compra. A intenção de compra de 62% dos consumidores, identificada pela pesquisa Opinion Box em parceria com a Dito, se soma aos dados da LWSA sobre a antecipação das pesquisas e ao levantamento da Serasa Experian sobre o tamanho e o perfil desse público.

A data, portanto, não se limita ao dia 27 de novembro. Para uma parcela significativa dos consumidores, a jornada começa semanas antes, passa pela comparação de preços e pode continuar durante todo o mês ou até chegar à Cyber Monday.

Ao mesmo tempo, os dados mostram que o interesse pela Black Friday reúne consumidores com diferentes faixas de renda, hábitos e prioridades. Eletrônicos, eletrodomésticos e roupas aparecem entre as categorias mais procuradas, enquanto fatores como frete, parcelamento, avaliações de outros compradores e experiência de compra entram na decisão final.

Com isso, a Black Friday de 2026 se desenha como um período de consumo mais prolongado, no qual a busca por ofertas começa antes da data oficial e se distribui por diferentes canais, categorias e momentos de compra.

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