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Do Zero ao Sucesso Domingo, 01 de Março de 2026, 17:26 - A | A

Domingo, 01 de Março de 2026, 17h:26 - A | A

Coluna Do Zero ao Sucesso

Motos superam carros em vendas no Brasil pela primeira vez

Por Alan Santana

Da coluna Do Zero ao Sucesso
Artigo de responsabilidade do autor

Impulsionada pelo avanço das mulheres no guidão e pela consolidação dos serviços de entrega, a comercialização de motocicletas ultrapassou a de automóveis, marcando uma virada cultural e financeira inédita no setor automotivo nacional

Reprodução/Freepik

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A paisagem das ruas brasileiras mudou e os números oficiais agora confirmam essa transformação. Pela primeira vez na história, o mercado de motocicletas superou o de carros no Brasil. Segundo dados da Abraciclo, o setor celebrou a venda de 2,1 milhões de unidades em 2025, um salto de 17,1% em relação ao ano anterior. Enquanto isso, o emplacamento de automóveis ficou em 1,9 milhão, de acordo com a Fenabrave.

Essa explosão não aconteceu da noite para o dia. Em apenas quatro anos, o volume de motos comercializadas quase dobrou, saltando de 1,1 milhão em 2021 para o patamar recorde atual. O protagonismo absoluto fica com os modelos de baixa cilindrada, que representam 77% da produção nacional, confirmando a busca do brasileiro por agilidade e economia.

Se antes o universo das duas rodas era predominantemente masculino, o cenário atual é de diversidade. O público feminino é um dos grandes motores desse crescimento. Dados da Senatran revelam que 10 milhões de mulheres já possuem habilitação na categoria A, um crescimento robusto de 66% na última década.

O fenômeno das entregas por aplicativo, que começou a ganhar corpo na década passada, atingiu sua maturidade máxima. Se em 2012 o Ipea contabilizava pouco mais de 50 mil profissionais no setor, hoje a Cebrap aponta uma legião de mais de 455 mil entregadores cruzando as cidades.

A escolha pela moto é, acima de tudo, matemática. Manter uma motocicleta custa, em média, R$ 763 mensais para quem trabalha 40 horas semanais. Para o motorista de carro, esse custo dispara para R$ 2.462. Essa busca por custo-benefício tem aquecido mercados regionais específicos; a procura por uma moto seminova RJ, por exemplo, reflete a estratégia de muitos trabalhadores para fugir dos preços elevados dos veículos zero quilômetro e dos custos de manutenção de carros populares.

Entretanto, essa economia tem seu preço na folha de pagamento:

Ganho médio (moto): R$ 4.037 (em plena atividade) a R$ 2.669 (com ociosidade).

Ganho médio (carro): R$ 5.058 (em plena atividade) a R$ 3.083 (com ociosidade).

Apesar da popularização, o seguro continua sendo um pedágio caro para o motociclista. Segundo a FenSeg, as apólices para quem usa a moto para trabalho podem ser até 50% mais caras do que o uso comum. Para uma Honda CG 160, a queridinha das ruas, o valor do seguro pode chegar a R$ 5.300, um investimento pesado que reflete o risco e a exposição desses profissionais no trânsito.

O recorde de 2025 não é apenas um dado estatístico; é o retrato de um Brasil que busca eficiência e baixo custo, mesmo diante de desafios de segurança e remuneração.

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