Estudo da EY-Parthenon revela como a curadoria digital substitui a publicidade tradicional e impulsiona fenômenos de vendas, desde itens essenciais até o luxo viral
Sete em cada dez brasileiros já abriram a carteira para um produto após serem convencidos por uma tela de celular. De acordo com a pesquisa Future Consumer Index (FCI), conduzida pela EY-Parthenon e divulgada pela EXAME, 73% dos consumidores do país confirmam ter realizado compras baseadas em recomendações de influenciadores digitais. O dado revela que o Brasil não apenas consome conteúdo, mas confia na curadoria digital para validar suas escolhas de consumo, transformando o engajamento em receita direta para as marcas.
Para a consultoria estratégica da EY, esse comportamento sinaliza uma transição de poder: o consumidor brasileiro busca uma conexão humana que a publicidade tradicional raramente alcança. A indicação de um criador de conteúdo funciona como um atalho de confiança, diminuindo o tempo de decisão e tornando o processo de compra muito mais emocional e ágil.
A força dos nichos e o fenômeno árabe Essa confiança é nítida em mercados específicos que dominam os algoritmos. Atualmente, influenciadores impulsionam o "hype" dos perfumes árabes, conhecidos pela alta fixação; entre os favoritos, o Perfume Lattafa Asad Bourbon destaca-se como o novo queridinho, unindo notas de baunilha e cacau que esgotam estoques rapidamente após cada recomendação viral.
A pesquisa indica que o papel do influenciador amadureceu: o público não busca mais apenas o "corpo perfeito", mas sim especialistas ou pessoas comuns que validam a funcionalidade e o custo-benefício de produtos no cotidiano. Empresas de diversos setores têm redirecionado orçamentos de marketing para o ambiente digital, onde o desafio agora é equilibrar alcance e credibilidade. Com consumidores mais atentos, a transparência sobre o que é publicidade paga tornou-se um requisito para manter o engajamento.
Futuro do consumo A tendência captada pela EY-Parthenon aponta para um cenário onde o "social commerce" deixará de ser uma alternativa para se tornar o pilar central das marcas brasileiras. Em um país onde o tempo de tela é um dos maiores do mundo, o influenciador atua como o elo final de confiança entre o desejo de compra e o fechamento do carrinho. Com o crescimento das comunidades de nicho, a voz do criador de conteúdo deve se tornar um elemento ainda mais indissociável da economia nacional nos próximos anos.

