Setor acelera em março com destaque para apartamentos compactos; para superar a inflação no ano, adotar estratégias de localização e liquidez será essencial ao investidor
Imóveis residenciais ficaram mais caros em março, mas o avanço ainda é insuficiente para bater o custo de vida no início de 2026. Com uma aceleração de 0,48% no mês, o preço médio de venda ganhou fôlego em relação a fevereiro, porém fechou o primeiro trimestre com alta acumulada de 1,01%, perdendo para a inflação de 1,48% registrada no período. Segundo o Índice FipeZAP, que monitora 56 cidades brasileiras, a valorização é puxada especialmente por apartamentos compactos e pelo aquecimento repentino em capitais como Fortaleza e Vitória.
A preferência por espaços reduzidos continua ditando o ritmo das etiquetas. Unidades de um dormitório não só tiveram a maior alta mensal (+0,65%), como ostentam o metro quadrado mais caro entre todas as tipologias, custando, em média, R$ 11.849. No lado oposto, imóveis amplos, com quatro dormitórios ou mais, registraram o ajuste mais discreto de março (+0,20%). Esse cenário de valorização em nichos específicos reforça o interesse de quem busca investir em Itaim Bibi, bairro que concentra alta demanda por esse perfil de moradia compacta e funcional.
Para o comprador que busca segurança patrimonial, as capitais do Sudeste seguem como referência. Mesmo com o avanço moderado no trimestre, comprar apartamento na zona sul de SP continua sendo uma estratégia defensiva clássica, dado que a região mantém uma liquidez superior à média nacional e preços que tendem a se recuperar rapidamente após períodos de inflação elevada.
O ranking do metro quadrado mais valorizado do país mantém o Espírito Santo no topo, com capitais do Sul e Sudeste completando o pódio: Vitória (ES) lidera com R$ 14.603 por metro quadrado, seguida por Florianópolis (SC), com R$ 13.106/m², e São Paulo (SP), que registra R$ 11.995/m².
Embora o primeiro trimestre tenha sido de "derrota" para o IPCA, o balanço dos últimos 12 meses oferece um alento aos proprietários. Nesse intervalo, os preços subiram 5,62%, superando a inflação acumulada de cerca de 3,9%. Nesse recorte anual, o destaque absoluto de valorização migra para o Norte e Nordeste, com Fortaleza (+13,46%), Belém (+13,43%) e Salvador (+13,13%) liderando os ganhos entre as capitais.
Aproveitando o momento de ajuste entre preços e inflação, a Setin Incorporadora de imóveis de médio e alto padrão listou passos essenciais para quem deseja investir ou morar com inteligência em 2026:
Identifique o "Gap" de Valorização: Como os preços subiram menos que o IPCA no trimestre, existe uma janela de oportunidade. O imóvel está com valor real atrativo antes de um provável repasse de custos de construção que deve vir nos próximos meses.
Aposte na Liquidez dos Compactos: Os dados do FipeZAP confirmam que unidades de um dormitório valorizam mais rápido. A Setin recomenda focar em projetos que ofereçam áreas comuns completas (coliving, lazer e serviços), que compensam a metragem privativa e atraem inquilinos qualificados.
Localização x Valor de Revenda: Em cidades como São Paulo, a proximidade com eixos de transporte e polos de tecnologia garante que, mesmo em trimestres de inflação alta, o ativo mantenha sua demanda e valorização acima da média de mercado.
O mercado imobiliário em março mostra busca por equilíbrio, mesmo com a inflação à frente no início do ano. Ainda assim, há retomada nos preços e valorização consistente em 12 meses. O setor segue como opção sólida para proteger patrimônio. Em 2026, a estratégia será investir em imóveis bem localizados e com alta demanda para superar o custo de vida.

