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Bem-Estar Domingo, 05 de Abril de 2026, 12:43 - A | A

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Coluna Bem-Estar

TCC: por que é padrão-ouro da psicologia moderna

Por Thais Hott

Da coluna Bem-Estar
Artigo de responsabilidade do autor

Abordagem prática e baseada em evidências se consolida no tratamento de diferentes transtornos

Ekaterina Chizhevskaya/IStock

ColunaBem-Estar

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A TCC (terapia cognitivo-comportamental) ganhou espaço nos consultórios e nas discussões sobre saúde mental nos últimos anos. A abordagem se tornou uma das mais utilizadas justamente por entregar algo que muita gente procura ao iniciar a terapia: clareza no processo e sensação de avanço ao longo do tempo.

Em vez de mergulhar apenas no passado, a TCC trabalha com situações do presente. O foco está em entender como pensamentos influenciam emoções e comportamentos – e, principalmente, como é possível intervir nisso de forma prática.

O que é a TCC e como ela aparece na prática

Na prática, a TCC funciona quase como um treino mental. O paciente aprende a identificar padrões automáticos de pensamento, aqueles que surgem sem esforço e acabam influenciando decisões e reações.
Com o apoio do psicólogo, essas interpretações são questionadas e, aos poucos, substituídas por leituras mais equilibradas. Não se trata de “pensar positivo”, mas de enxergar a situação com maior precisão.
Alguns elementos costumam aparecer com frequência no processo, como:

• conversas direcionadas para situações reais;
• exercícios entre sessões;
• registro de pensamentos e emoções;
• estratégias para lidar com situações específicas.

Esse formato mais ativo faz diferença. O paciente deixa de ser apenas alguém que fala e passa a participar diretamente do próprio processo.

Por que a TCC ganhou status de padrão-ouro

O título de padrão-ouro não surgiu por tendência, mas por acúmulo de evidências. Diversos estudos mostram que a TCC apresenta bons resultados, especialmente em quadros de ansiedade e depressão.

Segundo publicações científicas, a abordagem se destaca por ser estruturada e passível de avaliação. Isso permite acompanhar a evolução do paciente de forma mais concreta, o que nem sempre acontece em outras linhas.

Outro ponto que pesa é a objetividade. Muitas pessoas buscam terapia esperando entender melhor o que sentem, mas também querem ferramentas para lidar com isso. A TCC entrega justamente essa combinação.

Quando a TCC costuma ser mais indicada

Embora seja bastante versátil, a TCC aparece com mais frequência em alguns contextos. Entre eles:

• transtornos de ansiedade;
• depressão;
• fobias e medos específicos;
• dificuldades de regulação emocional;
• problemas relacionados ao estresse.

Mas não se limita a isso. Também é comum que seja utilizada para organizar a rotina, melhorar relações ou desenvolver habilidades sociais.
O diferencial está no fato de que o paciente leva ferramentas para fora da sessão. Ou seja, o processo não fica restrito ao consultório.

A presença da TCC na formação em psicologia

A importância da TCC também aparece na formação de novos profissionais. Na faculdade de psicologia, a abordagem costuma ser ensinada como uma das principais referências clínicas.

Ao longo da graduação, os estudantes aprendem não apenas a teoria, mas também formas de aplicar a técnica no atendimento. Isso ajuda a preparar psicólogos para lidar com diferentes demandas já no início da carreira.

Esse destaque dentro da formação mostra como a terapia cognitivo-comportamental deixou de ser apenas mais uma linha teórica e passou a ocupar um espaço central na prática clínica.

Um caminho mais direto para entender o que se sente

A popularização da TCC acompanha uma mudança na forma como as pessoas enxergam a terapia. Existe uma busca maior por processos que façam sentido no dia a dia e que ajudem a lidar com situações concretas.

Nesse cenário, a abordagem se destaca por oferecer algo simples de entender, mas profundo na prática: a forma como pensamos interfere diretamente na maneira como vivemos.

E, quando isso fica mais claro, o processo terapêutico também tende a ganhar outro ritmo. Mais ativo, mais consciente e, para muitos, mais efetivo.

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