Prática manual ajuda a reduzir a ansiedade, estimula a criatividade e incentiva o desenvolvimento de autonomia e autoconfiança
Buscar formas de relaxar longe das telas tem se tornado cada vez mais comum, e o bordado é uma das atividades manuais escolhidas por quem está em busca de um tempo de qualidade.
Um levantamento feito pela DataReportal destacou que os brasileiros passam 56% das horas em que estão acordados em frente a telas. Esse comportamento tem levado cada vez mais pessoas a desenvolver problemas relacionados a ansiedade, distorção de imagem, entre outras questões ligadas à saúde mental.
A boa notícia é que, atualmente, há um movimento que vai contra a necessidade de ficar online o tempo todo. A ideia de aproveitar a vida offline vem ganhando cada vez mais adeptos, e um dos motivos são justamente os benefícios à saúde mental e a quebra da necessidade de estar o tempo todo em frente ao celular.
O resultado é o encontro de novas habilidades e passatempos manuais, como o bordado manual, uma técnica milenar que deixou de ser praticada apenas pelas avós e tem se tornado uma atividade comum entre jovens.
Benefícios do bordado para a saúde mental e o bem-estar
A técnica do bordado manual surgiu ainda na pré-história como uma representação cultural importante. Ela está presente em várias sociedades ao redor do mundo, e as diferenças estão principalmente nos materiais e na execução de pontos e desenhos.
Com o passar dos anos, a técnica ganhou um olhar feminino e passou a ser vista como um importante hobby entre as mulheres. Ela era usada para enfeitar vestidos e produzir enfeites, guardanapos e outros objetos utilizados nos lares.
Entretanto, nos últimos anos, a técnica ganhou outra perspectiva e passou a ser vista e executada por pessoas com um olhar mais moderno, até como uma forma de encontrar benefícios para a saúde mental.
A pesquisadora e pós-graduanda Barbara de Marchi, do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da UFES (Universidade Federal do Espírito Santo), em sua pesquisa “Bem-estar e prática de manualidades com fios durante a pandemia de Covid-19", destacou que jovens que praticaram artesanatos com fio nesse período apresentaram níveis mais elevados de qualidade de vida e saúde mental.
Ou seja, para a autora, a prática surge como uma forma de autorregulação emocional. Além disso, as atividades manuais têm benefícios diretos na cognição e até no autoconhecimento, já que permitem liberdade de expressão na criação dos riscos de bordado livre.
Como começar no bordado: materiais essenciais e primeiros passos
O primeiro passo para iniciar na técnica é encontrar o estilo de bordado que mais combina com a personalidade de cada pessoa. Dentro do bordado livre e até do ponto cruz, é possível executar desde peças mais simples, com pontos básicos, até aquelas mais complexas, que exigem tempo e dedicação.
Entre as ideias mais comuns, é possível bordar quadros decorativos em bastidores, toalhas, peças de roupa, ecobags, chaveiros e até marcadores de página.
Além disso, a arte manual exige materiais específicos, como tecido, bastidor, agulhas, linhas e tesoura. Nesse sentido, a opção mais viável é buscar um kit para bordar, que, além dos materiais básicos, costuma oferecer também riscos e até instruções de alguns pontos.
Vale lembrar ainda que, por mais que os pontos sejam tradicionais e exista um passo a passo para a execução, dentro deste passatempo, a criatividade é o guia para o relaxamento e até para a autoconfiança.
Por isso, o ideal é que, depois de aprender o básico e se aperfeiçoar, o bordadeiro tenha autonomia para criar e deixar a criatividade fluir da melhor maneira.

