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Cérebro pandêmico: cientistas mapeiam os impactos negativos da Covid-19 na cognição

Por Pérola Cattini

Da coluna Bem-Estar
Artigo de responsabilidade do autor

Consequências da pandemia podem incluir variações de humor, perda de memória e dificuldade de aprendizagem

iStock

ColunaBem-Estar

A pandemia da Covid-19 afetou a saúde mental das pessoas em escala global. Toda a ansiedade proporcionada pelo medo do vírus, as mudanças drásticas na rotina e a solidão consequente do isolamento social criaram um quadro que os cientistas vêm chamando de “cérebro pandêmico”. Não se trata de uma nova doença ou condição de saúde, apenas de uma forma de designar todos os problemas psicológicos e emocionais que foram desencadeados pela pandemia.


De acordo com uma pesquisa da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, o estresse ocasionado pela pandemia não é algo eventual e passageiro como costuma ser – é um quadro crônico. Isso significa que ele é intenso e recorrente, afetando as pessoas diariamente, de forma ininterrupta, o que agrava a situação. O resultado não são somente algumas alterações cognitivas como perda de memória, variações de humor, dificuldades de aprendizado e concentração, mas também alterações físicas na estrutura do cérebro.


O estudo indica que algumas partes específicas da massa cinzenta reduziram de tamanho – dentre elas, as regiões temporal, frontal, occipital e subcortical. A prevalência de níveis elevados de cortisol por longos períodos está mais incidente, algo evidente em pessoas com depressão; a questão é que agora o problema pode ser identificado em um número muito maior de pessoas.


O que mais preocupa os especialistas é que não existe um prazo determinado para que as pessoas consigam voltar a se sentir bem novamente, como acontece com o que eles chamam de “estresse bom”. O estresse bom desaparece junto com o fim da situação que está servindo de gatilho para toda aquela angústia, mas a pandemia é um gatilho mais complexo. Mesmo com a vacinação e o afrouxamento de algumas medidas de segurança, a situação que vivemos é cíclica, por isso é difícil dizer quando teremos nossa vida normal de volta.


O novo normal de nossas vidas inclui lidar com esse revezamento de períodos de isolamento e de liberdade, com a dor do luto e com a falta de tantas outras coisas que poderiam nos fazer bem. Para os especialistas, o cérebro pandêmico não é um fenômeno irreversível, mas levará um bom tempo para que a sociedade consiga se recuperar de todos os danos causados pela pandemia. Não existe uma data certa nem um livro de regras de como será o pós-pandemia, mas certamente será necessário um esforço conjunto para sermos bem-sucedidos.

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