Quase sete anos após um foco de febre aftosa ter restringido os embarques de carne bovina para a União Europeia, os frigoríficos brasileiros e o governo federal receberam um alerta das autoridades européias de que as exportações de carne para o bloco serão suspensas imediatamente, caso o Brasil inicie a comercialização de dois promotores de crescimento para bovinos, recentemente liberados no país, sem comprovar a existência de um sistema de segregação da produção, segundo informa o Jornal do Comércio.
Proibidos na União Europeia, os dois aditivos da classe dos beta-agonistas (cloridrato de zilpaterol e ractopamina), aprovados pelo Ministério da Agricultura no fim de junho, causaram mal-estar entre os exportadores brasileiros, que pediram a suspensão das vendas.
Os europeus são contra o uso da tecnologia para ganho de produção.
As farmacêuticas que fabricam os aditivos - as americanas MSD Saúde Animal, da Merck, e Elanco - estão em plena campanha para a divulgação dos novos produtos.
Na terça-feira, o Ministério da Agricultura atendeu aos apelos da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e fechou um acordo com as duas farmacêuticas.
A contragosto, as multinacionais concordaram em iniciar efetivamente as vendas somente após a Comissão de Saúde do Consumidor da UE (DG Sanco, na sigla em inglês) receber as garantias de que o Brasil possui um sistema de segregação conhecido como "split system".
Em carta enviada em 1o de agosto à DG Sanco, o chefe da Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA), Ênio Marques, explicou que os produtos ainda não estão sendo vendidos no Brasil e "somente o serão após a aceitação pelo lado europeu do sistema de segregação".
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