A pesquisa agropecuária segue como uma das principais aliadas do agronegócio em Mato Grosso do Sul. Prestes a completar 29 anos de atuação, a Fundação Chapadão amplia sua área de abrangência e investe em inovação, genética e inteligência artificial para desenvolver soluções que contribuam para o aumento da produtividade e da sustentabilidade nas lavouras do Estado.
Com atuação consolidada na região nordeste sul-mato-grossense, a instituição atende municípios como Chapadão do Sul, Costa Rica, Paraíso das Águas, Alcinópolis, Cassilândia, Paranaíba e Coxim, além de expandir projetos para novas áreas do norte do Estado.
Segundo o presidente da Fundação Chapadão, Ilton Henrichsen, as culturas de soja e milho continuarão sendo prioridade nas pesquisas devido à forte presença dessas atividades na região e às condições climáticas favoráveis.
“A soja e o milho estão muito consolidados na nossa região. Por isso, as pesquisas continuarão focadas no desenvolvimento de novas cultivares, no aumento da produtividade e em soluções para os desafios que surgem a cada safra”, afirma.
Henrichsen destaca ainda que a expansão da cana-de-açúcar tem despertado atenção dos pesquisadores, especialmente em áreas consideradas mais marginais para a produção de grãos.
“A cana já é uma realidade em parte da região e existe uma demanda crescente por conhecimento técnico. É uma área que pode receber mais atenção da pesquisa nos próximos anos”, ressalta.
A Fundação surgiu na década de 1990 a partir da mobilização de produtores rurais preocupados com os prejuízos causados por nematoides nas lavouras de soja. Desde então, consolidou parcerias com instituições como a Embrapa, prefeituras e o Governo do Estado para fomentar a pesquisa científica.
Atualmente, os estudos abrangem mais de 500 mil hectares de áreas agrícolas e envolvem temas como manejo de pragas e doenças, fertilidade do solo, nutrição vegetal, sementes, controle de nematoides e desenvolvimento de tecnologias voltadas à mitigação dos impactos climáticos.
De acordo com o diretor-executivo da Fundação Chapadão, André Bartolomeu Piesanti, a validação regional de novas cultivares é uma das atividades mais importantes para orientar os produtores.
“A cada ano surgem novos materiais genéticos no mercado e eles precisam ser avaliados na nossa região. Analisamos potencial produtivo, comportamento diante de doenças, melhor época de plantio e adaptação ao clima. Essas informações servem para nortear a tomada de decisão do produtor na safra seguinte”, explica.
A inteligência artificial também começa a ganhar espaço nas pesquisas. Segundo o engenheiro agrônomo Fábio Lima Abrantes, a tecnologia já auxilia na análise de grandes volumes de dados, contribuindo para previsões mais precisas e tomadas de decisão mais eficientes.
“A inteligência artificial nos ajuda a transformar um banco de dados robusto em informações mais claras e objetivas para o produtor rural, facilitando a tomada de decisão no campo”, afirma.
Além das grandes culturas, a Fundação desenvolve pesquisas voltadas à diversificação agrícola e ao fortalecimento de sistemas produtivos para pequenos produtores, incluindo integração lavoura-pecuária, formação de pastagens e produção de silagem.
Os laboratórios da instituição também desempenham papel fundamental no diagnóstico de doenças, avaliação de produtos biológicos e validação de tecnologias utilizadas nas propriedades rurais.
Segundo a engenheira agrônoma Aniele Versotto Teixeira, a estrutura permite oferecer respostas rápidas e precisas aos desafios enfrentados pelos produtores.
“Quando o produtor identifica algum problema na lavoura, ele traz a amostra para que possamos fazer o diagnóstico e identificar exatamente o que está acontecendo. Isso permite uma recomendação mais precisa e assertiva”, explica.
A Fundação Chapadão conta atualmente com sete pesquisadores e laboratórios especializados em fitopatologia, entomologia, nematologia, herbologia, genética, análise de sementes e fertilidade do solo.
Para manter as atividades, a instituição recebe apoio do Governo de Mato Grosso do Sul. Conforme Piesanti, os investimentos estaduais foram de aproximadamente R$ 2,5 milhões por safra em 2023 e 2024, chegaram a R$ 3,7 milhões em 2024/2025 e devem alcançar cerca de R$ 2,7 milhões na safra 2026/2027.
“Esse recurso é fundamental para a aquisição de materiais de consumo, defensivos, insumos e ferramentas necessárias para sustentar todo o trabalho de pesquisa desenvolvido pela Fundação. É um apoio importante para que possamos continuar entregando tecnologias e informações aos produtores”, destaca.
A expectativa da instituição é ampliar ainda mais a utilização de tecnologias digitais e fortalecer pesquisas voltadas à adaptação das lavouras às mudanças climáticas, contribuindo para uma agropecuária mais eficiente, competitiva e sustentável em Mato Grosso do Sul.
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