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Hábitos de apostas esportivas em Portugal: o que mudou nos últimos anos e o que espera o Brasil

Em uma década, Portugal saiu de um mercado marginal para uma indústria bilionária dominada pelo celular: um retrato do futuro brasileiro

Da Redação
Capital News

Reprodução

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De certa forma, o caminho que o Brasil está percorrendo agora, Portugal já trilhou. As bets já são legais em Portugal desde 2015. Naquele ano, os brasileiros ainda estavam longe de saber o que eram bets, e os poucos que apostavam recorriam a meios “pouco legais”, já que só recentemente passou a ser possível apostar de forma legal por aqui.

De mercado marginal a indústria de dois bilhões

Até 2015, apostar em esportes em Portugal era quase sempre uma atividade à margem da legalidade. Quem queria mais do que um simples boletim do Placard, o sistema estatal de apostas, recorria a plataformas estrangeiras sem regulação local, sem proteção e sem garantias.

A virada aconteceu com a entrada em vigor do Regime Jurídico do Jogo Online, em 2015. Mas a aceleração real veio depois, impulsionada pelos smartphones, pela digitalização dos pagamentos e por uma pandemia que fechou tudo menos as telas.

Os números falam por si: em 2018, o volume total de apostas esportivas online girava em torno dos 392 milhões de euros. Em 2020 já eram 808 milhões. Em 2024, Portugal atingiu um recorde histórico de 2,053 bilhões de euros, segundo o Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos (SRIJ) do Turismo de Portugal. Mais de 400% de crescimento em cerca de seis anos, numa população de pouco mais de dez milhões de pessoas. Sim, apenas cerca de 7 milhões a mais que o estado de Mato Grosso.

O futebol domina, mas o tênis cresce

Olhando para os números, eles não são muito diferentes do que acontece no nosso país. Em Portugal, 71,8% das bets vão para o futebol, sendo que no Brasil é ligeiramente superior, chegando muito perto dos 80%. A Liga dos Campeões, a Premier League inglesa e a Primeira Liga portuguesa lideram o volume, nessa ordem.

O crescimento do tênis é o dado mais surpreendente: chegou a 22,1% das apostas no terceiro trimestre de 2025, um número que teria parecido improvável há cinco anos. O basquete mantém uma fatia estável. É o retrato de um apostador que vai além do jogo do fim de semana.

O celular virou a principal porta de entrada

Em 2025, estimava-se que mais de três quartos de todas as apostas online em Portugal eram feitas via smartphone ou tablet. Com uma plataforma no bolso, as apostas ao vivo se tornaram o comportamento padrão: você acompanha o jogo, vê uma situação se desenvolvendo em campo e reage na hora.

As plataformas responderam com aplicativos sofisticados, streaming integrado e cashout em tempo real. No Brasil, onde o Pix já normalizou o uso do celular para movimentações financeiras, essa transição tende a ser ainda mais rápida.

O apostador está mais informado e mais exigente

O apostador português de 2026 não aceita uma plataforma lenta ou sem estatísticas decentes. Ele pesquisa antes de se cadastrar, compara odds entre operadores e muda de plataforma se não ficar satisfeito. Essa mudança de mentalidade criou um mercado mais competitivo e, no fim, mais favorável para quem aposta.

Os operadores licenciados pelo SRIJ competem na qualidade da experiência como um todo: ferramentas de expected goals, históricos de confrontos e visualizações de dados em tempo real passaram a ser uma expectativa, não um diferencial.

Nesse contexto, comparar odds antes de apostar virou hábito essencial. Plataformas como o Wincomparator, por exemplo, mostram, para cada evento, qual operador oferece a melhor odd naquele momento. Uma diferença de 2% a 3% na margem do operador pode parecer pouco num jogo isolado, mas acumulada ao longo de centenas de apostas representa uma quantia que ninguém deveria ignorar.

Regulação: um mercado mais enxuto que o brasileiro

O SRIJ, o regulador português, conta atualmente com apenas 17 operadores licenciados ativos. É um mercado enxuto, com critérios de entrada rigorosos, o que facilita a fiscalização e aumenta a confiança do apostador.

O Brasil seguiu um caminho diferente. Desde que o mercado regulado entrou em vigor em janeiro de 2025, o Ministério da Fazenda já autorizou 187 bets a operar no país, segundo a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA). São mais de dez vezes o número de operadores portugueses. A escala faz sentido dado o tamanho do país, mas cria desafios de fiscalização que Portugal simplesmente não enfrenta.

Uma licença nacional em Portugal garante proteção legal dos fundos, recurso em caso de disputa e ferramentas obrigatórias de jogo responsável. Mesmo assim, estima-se que cerca de 40% dos apostadores portugueses ainda usem plataformas sem licença SRIJ, um dado que mostra que regulação, por si só, não muda comportamentos da noite para o dia.

O dinheiro das apostas volta para o esporte

Há um ponto que muita gente desconhece e que é relevante para o debate brasileiro: parte da receita das apostas reverte para o esporte nacional através do Imposto Especial de Jogo Online (IEJO). Em 2024, o futebol recebeu 72,3% desse valor, com a Federação Portuguesa de Futebol arrecadando 33,85 milhões de euros e a Liga Portuguesa 10,85 milhões.

O Brasil caminha na mesma direção. A Lei das Bets prevê destinação de parte da receita tributária para o esporte, a educação e a seguridade social, mas o modelo ainda está em fase de implementação. Portugal mostra que, quando esse mecanismo funciona, pode se tornar uma fonte relevante de financiamento para o esporte de alto rendimento.

O que vem pela frente

O mercado português não vai desacelerar. Os dados do terceiro trimestre de 2025, com 504,6 milhões de euros em apostas esportivas apenas nesses três meses, confirmam a trajetória.

A inteligência artificial já está personalizando sugestões de mercado e ajustando odds em tempo real. Modalidades como o padel, os e-Sports e o MMA estão ganhando espaço. E o apostador continua ficando mais exigente: quer informação, transparência e ferramentas para decidir com consciência.

O caminho que Portugal percorreu em uma década é um mapa útil para entender onde o mercado brasileiro pode chegar.

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