No Dia Mundial do Leite, comemorado em 1 de junho as comemorações dos produtores sul-mato-grossenses serão modestas; Produzir com gestão eficiente, agregar valor à matéria prima, estimulando o lucro da propriedade, não tem tarefa fácil. A afirmação do diretor do Sindicato Rural de Campo Grande e vice-presidente do Conselho Paritário entre Produtores e Indústrias de Leite de Mato Grosso do Sul (Conseleite), Wilson Igi, leva em consideração os custos da pecuária leiteira e o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que a 10,2%, somado ao frete, dificultam a saída da produção excedente, para outros estados, gerando a desvalorização, pelo volume da oferta aos laticínios.
“Considerando o consumo per capita de Mato Grosso do Sul temos um excedente de 78 milhões de litros, sem considerar, em equivalente, a matéria prima de produtos lácteos importado de outros estados e países”, ressalta Igi. “Para nossa produção sair do Estado, paga-se um ICMS muito caro, em relação aos estados vizinhos. E com os excedentes que ocorrem, principalmente na época das águas, faz com que o laticínio pague muito menos por nosso produto, ficando muitas vezes abaixo do custo gerado. A conta não fecha. E isso faz cada vez mais que produtores abandonem a atividade”, pontua Igi, que abordará o tema durante o 20º Encontro Técnico do Leite, no auditório do Sindicato Rural de Campo Grande, no dia 2 de junho, entre as 7h e 17h30.
“A cadeia em Mato Grosso do Sul está de marcha ré. Desde 2010 só indo para trás e isso preocupa muito”, relata o diretor do Sindicato. “O número de produtores que deixam a atividade, só não é pior porque acabam sendo substituídos por outros nos assentamentos que surgem, mas não se sustentam. Poderíamos estar melhores, com indústrias mais fortes, o que acarretaria em melhores preços, com diversificação de produtos que usam o leite como matéria prima”, reforça Igi.
Mesmo concordando com todos os apontamentos do dirigente, o produtor rural de Campo Grande, Nivaldo Sezerino, 57 anos, acredita que sua principal contribuição, para melhorar o cenário, é agindo estrategicamente da porteira para dentro. Há 6 anos entrou na atividade e já foi premiado pelo laticínio Lactalis, pela qualidade do leite entregue. Conquistou a primeira colocação em um ranking de 352 fornecedores da região de Terenos. A qualidade, além do pódio, trouxe cerca de R$ 0,25 a mais, por litro.
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