Em torno de 100 funcionários da indústria de laticínios Líder, em Campo Grande, estão desempregados desde sexta-feira passada (8), quando a indústria fechou suas portas depois que a empresa fez fusão com a empresa Saga e resolveu manter apenas as unidades instaladas em São Gabriel do Oeste e Naviraí. “ Muitos estão sendo transferidos para São Gabriel do Oeste, mas nem todos concordam” – afirma Rinaldo Salomão, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação e Afins de Campo Grande e Região, ao conversar com a reportagem do Capital News.
Segundo o próprio, além do desemprego que isso gera na comunidade, também causa uma queda na economia do Estado. “A indústria desfrutou dos benefícios fiscais concedidos pelo Estado e município e agora, quando deveria estar a todo vapor, resolve fechar as portas sem se preocupar com o emprego de centenas de trabalhadores e com a economia do Estado” – acrescenta Salomão ao desabafar sobre os laticínios clandestinos que existem e prejudicam a comercialização do leite.

"A maioria está sendo transferido para São Gabriel do Oeste" - afirma Rinaldo Salomão
Foto: Divulgação
Uma das questões que incentivou essa atitude da empresa foi à falta de estrutura adequada que o laticínio apresentava. De acordo com o ex- funcionário, Paulo Sergio dos Santos, o maquinário utilizado na produção de mussarela estava com mais de 30 anos. “ O prédio é bom, mas o maquinário é péssimo. Estou aqui há 14 meses e já vi várias vezes as máquinas estragarem, não é a toa que a empresa gastava muito. Os funcionários já estavam sendo avisados há três meses sobre o problema.” – declara Santos.
Os ex-funcionários terão até a próxima segunda-feira (18) para concluir todos os acertos, segundo Paulo.
Já o produtor de leite de São Gabriel do Oeste, Benedito Araújo, o problema está no preço. “Creio eu, que o laticínio fechou por falta de produtores que estão desistindo do leite para sobreviver, devido ao preço que as empresas pagam, 56 centavos o litro. Além disso, a logística atrapalha muito, pois os laticínios mandam os produtos para outro Estado e o frete é bem mais caro” – explica Araújo.
Rinaldo Salomão pede intervenção do governador André Puccinelli e do prefeito Nelson Trad Filho para evitar esse desgaste e perda para a economia de Mato Grosso do Sul.
A equipe do Capital News entrou em contato com o laticínio Líder, mas não obteve resposta porque não há ninguém trabalhando no momento.
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