A Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer de Batayporã notificou uma empresa de São Paulo responsável pelo fornecimento de materiais para avaliação diagnóstica após a equipe pedagógica identificar conteúdos considerados inadequados para estudantes do 4º ano do ensino fundamental.
A notificação foi publicada no Diário da Assomasul nesta quarta-feira (12). Entre os materiais analisados estavam os textos “A Mulher Preguiçosa” e “A Princesa e o Sapo”.
Segundo a secretaria, o primeiro conto apresenta uma situação em que o marido ameaça agredir um animal doméstico para intimidar a esposa e fazê-la assumir as tarefas de casa. A narrativa termina com a personagem aceitando as responsabilidades domésticas por medo de sofrer violência, seguida da indicação de que o casal teria vivido feliz.
Para a equipe pedagógica, a abordagem poderia transmitir uma percepção equivocada sobre a violência contra a mulher e os papéis atribuídos a homens e mulheres. A avaliação ainda classificava como objetivo da narrativa a alternativa “contar uma história divertida”.
Conto de princesa também foi questionado
Em relação a “A Princesa e o Sapo”, a secretaria reconheceu a presença da história no imaginário infantil, mas apontou questões relacionadas à autonomia da personagem feminina, ao cumprimento de uma promessa contra a própria vontade e à associação do casamento com um príncipe ao chamado “final feliz”.
A Secel destacou que não questiona a importância da literatura e dos contos tradicionais no processo de aprendizagem, mas considera necessário avaliar a forma como essas histórias são apresentadas às crianças e o contexto social em que são utilizadas.
Empresa terá prazo para se manifestar
A secretaria solicitou a retirada dos dois textos dos materiais encaminhados às escolas e pediu adequações nas próximas avaliações para evitar conteúdos considerados sensíveis para a faixa etária.
Também foi solicitada a realização de uma palestra presencial com os alunos que tiveram contato com o material, com abordagem adequada à idade ou outro tema previamente aprovado pela equipe pedagógica.
A empresa terá três dias úteis, contados a partir da publicação da notificação, para apresentar defesa e manifestação. Caso não se manifeste dentro do prazo, o fato será registrado no processo administrativo.
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