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Rural Sábado, 12 de Janeiro de 2013, 13:28 - A | A

Sábado, 12 de Janeiro de 2013, 13h:28 - A | A

Kadiwéus procuram Famasul para capacitação rural

Bruno Chaves - Capital News (www.capitalnews.com.br)

Em busca de parceria para profissionalizar moradores da aldeia de Bodoquena, em Porto Murtinho, o presidente da Associação da Comunidade Indígena da Reserva Kadiwéu (ACIRK), Ambrósio da Silva, procurou auxílio da Federação da Agricultura e Pecuária de MS (Sistema Famasul). O presidente justificou que existe uma necessidade de que os indígenas se atualizem nas técnicas relacionadas à produção rural, principal fonte de renda da aldeia, para que eles adquiram uma independência econômica.

Segundo informações Ambrósio, repassadas por meio da Famasul, 2,5 mil indígenas habitam a aldeia de Bodoquena. Nela, cada família dispõe de dois hectares para produzir mandioca, arroz, feijão e milho, cultivados em sistema de subsistência. Com um rebanho que soma 2,3 mil cabeças de gado, os Kadiwéus de Porto Murtinho também se dedicam a pecuária.

“O que me conduz a ter coragem da busca pela profissionalização é a questão da inserção da população indígena nos benefícios de quem desenvolve uma atividade econômica. Não sou treineiro, estou buscando parceria com a Famasul porque enxergo a necessidade de nos inserirmos em um ciclo de busca e renovação de conhecimento. Precisamos nos capacitar para nos tornarmos competitivos, sempre em busca de inovação tecnológica”, afirma o presidente e estudante de Letras, Ambrósio da Silva.

O presidente da ACIRK também defende a busca por tecnologias que desenvolvam as habilidades dos indígenas em outros setores e a inserção do povo na sociedade contemporânea. “Quero estar com tablet, subindo em tribunais e defendendo meu povo. Já arranhamos o inglês e falamos espanhol e é essa inovação que a sociedade indígena precisa”, observou.

Para a coordenadora da unidade educacional no Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/MS), Rosário de Almeida, que recebeu os indígenas nesta sexta-feira (11), além do benefício intelectual, a atitude de Ambrósio pode incluí-los no agronegócio do Estado. “Vejo com bastante positividade a atitude do indígena buscar conhecimento e a instituição se coloca a disposição para contribuir com a capacitação técnica e científica. Com isso o Senar/MS reafirma o compromisso de disponibilizar conhecimento, que contribui para o aumento da capacidade de produção e autonomia da aldeia”, comentou.

Participaram da reunião o indigenista aposentado pela Fundação Nacional do Índio (Funai), Juraci Almeida de Andrade, e o professor indígena, Gilberto Pires.
 

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