“O poder legislativo serve para investigar o executivo!” A frase do vereador Carlão dá o tom exato da primeira sessão da câmara vereadores, que aconteceu na manhã desta segunda-feira (02).
Os vereadores da posição fizeram questão de lembrar ao prefeito Gilmar Olarte seus “atos falhos” e ressaltar as irregularidades que vêm acontecendo na prefeitura da Capital nesse primeiro ano de seu mandato.
O assunto mais comentado, e também o que gerou maior polêmica foi o escândalo do tapa buraco, presente em praticamente todos os discursos dos vereadores adversários, tanto em tribuna quando em entrevista aos jornalistas.
Paulo Pedra e Thais Helena foram os que se mostraram mais determinados a cobrar explicações concretas do prefeito, sugerindo uma CPI para investigar os contratos licitatórios com a empresa Selco Engenharia, responsável pelo tapa buraco na cidade.
“A CPI vai explicar por que se paga 16 milhões todo mês as empreiteiras, rigorosamente em dia; atrasa merenda, atrasa Instituto Mirim, atrasa repasses, mas tapa buraco não. Se você tirar sábado e domingo, dá mais ou menos 650 mil por dia, e a cidade cheia de buraco”, defende o vereador como forma de reforçar a importância da CPI.
Thais Helena além de se mostrar favorável a CPI, ironiza quanto ao discurso do prefeito feito em tribuna, que segundo o vereador Paulo Pedra é fantasioso.
“Nós ficamos nos perguntando ali enquanto ele estava falando, que cidade é essa que ele está se referindo. Eu acho que CPI é um instrumento muito importante, um instrumento que a gente consegue se aprofundar nesse grande problema que é o tapa buraco”, comenta a vereadora.
O vereador Carlão, citado no começo da matéria, disse em entrevista antes da sessão que os vereadores têm a obrigação de investigar a prefeitura, porem é necessário reunir recursos para abrir uma CPI.
“Tem que reunir os recursos, vê se vai abrir a CPI mesmo, porque não adianta só dois ou três quererem, precisa de 10 assinaturas. Tem que abrir uma CPI de verdade, porque a cidade de Campo Grande ta baleada. Teve que enfrentar uma empresa fantasma com uma licitação de quase 6 milhões de reais, sem um caminhão, sem um funcionário, sem um escritório, e agora caiu numa administração que está sendo apontada como tapa-buraco fantasma”.
O vereador ainda ressaltou que se for preciso suspender o mandato do atual prefeito, isso será feito.
“São dois pesos, duas medidas, foi duro com o Bernal, e se for preciso ser duro com o atual prefeito, nós vamos ser duros também. Então se vai trocar um ou dois, ou até três prefeitos num mandato, o problema não é esse, mas só troca se tiver erro, ninguém vai inventar documento para punir ninguém”.
Em tribuna o vereador se declarou da base do prefeito Gilmar Olarte, mas sugeriu que o mesmo esquece o passado e parasse de se basear nos erros do ex-prefeito.
“Senhor prefeito esquece o Bernal. Campo Grande esteve mal administrado mais já acabou. Ele teve uma administração ruim, mas já acabou, vamos trabalhar”.
Carla Stephanini (PMDB) afirmou estar do lado da Capital e não contra ninguém.
“Se determinados momentos, aos nos posicionarmos em defesa de Campo Grande nós contrariarmos eventualmente o executivo, isso pode acontecer. Então eu continuo insistindo que nesse momento não é questão de ser base ou oposição, é questão de trabalharmos em defesa da população”.
Quanto a CPI, Carla declarou que seguirá a decisão do seu partido, e que eles ainda irão discutir sobre isso.
