O Conselho de Ética do Senado deve decidir nesta quarta-feira (24) se vai substituir ou não o relator do processo contra o senador Delcídio do Amaral (PT-MS) por quebra de decoro parlamentar após ficar 87 dias preso preventivamente por suspeita de atrapalhar as investigações da operação Lava-Jato.
Os advogados do petista pedem a impugnação do relator Ataídes Oliveira (PSDB-TO), alegando que ele não tem isenção para conduzir o processo. Embora não tenha assinado a representação contra da Rede e do PPS contra Delcídio, o PSDB apoiou o pedido.
Em entrevista à Agência Brasil na manhã de terça-feira (23), Oliveira admitiu que será difícil permanecer no cargo. “Vejo a possibilidade deles [integrantes da bancada governista na comissão] trocarem o relator e eu terei de acatar", disse o senador.
O pedido será analisado por meio de votação da comissão, composta em sua maioria por membros da base do governo. Caso haja a destituição do tucano, uma nova eleição deverá ser feita para escolher um substituto.
Ataídes demonstra ainda preocupação com a substituição, já que muitos se recusam a assumir a relatoria. Delcídio é influente no Senado, respeitado inclusive pela oposição, e outros dois parlamentares recusaram a administrar o caso.
Já desistiram previamente de substituir Oliveira os senadores Aloysio Nunes (PSDB-SP), prevendo novos questionamentos; e Otto Alencar (PSD-BA), que recusou o posto por ser próximo de Delcídio.
Tramitação
Após o recebimento da defesa prévia, o relator do caso tem cinco dias úteis para apresentar o relatório preliminar pela continuidade ou não do processo. Feito isso, o colegiado terá outros cinco dias úteis para apreciar o parecer do relator. Caso Ataídes seja confirmado relator, o prazo termina na próxima terça-feira (1º).
No Senado, é grande a expectativa para a volta de Delcídio às atividades. Na manhã de segunda-feira (22), a assessoria do parlamentar chegou a confirmar que ele faria um discurso no plenário da Casa. Nesta terça-feira, a informação do gabinete é que Delcídio do Amaral está sendo submetido a uma bateria de exames de saúde e que, só após a conclusão dos testes, ele retornará ao Senado.
*Com informações da Agência Brasil


