A Comissão Especial para Acompanhamento dos Problemas da Santa Casa, da Câmara Municipal, composta pelos vereadores Athayde Nery, Dr. Loester, Paulo Siufi, Paulo Pedra, Dr. Jamal, Thais Helena, Alex e Lidio Lopes, realizou nesta quarta-feira (28) uma audiência pública para esclarecer dúvidas e colher informações a respeito da situação do hospital. A questão da dívida e do futuro da instituição foram os temas mais abordados. O secretário municipal de Saúde, Leandro Mazina, afirmou que hoje a Santa Casa trabalha com um déficit mensal entre R$ 2 milhões a 2,5 milhões. Mas, segundo ele, todas as dívidas estão negociadas ou em processo judicial.
“Estamos pagando as dívidas com a Enersul, Águas Guariroba e os bancos, as quais foram devidamente renegociadas e parceladas. Hoje não há nada vencido sem ser pago”, explicou Mazina.
O secretário ainda disse que o principal objetivo da intervenção municipal é salvar vidas e promover a saúde.
“Queremos fazer com que a Santa Casa continue salvando vidas. Estamos tendo boa vontade durante oito anos. A discussão aqui é: o melhor caminho a ser tomado pela Santa Casa e o melhor caminho aos usuários do SUS (Sistema Único de Saúde)”, relatou.
Sobre a questão do maior hospital de Mato Grosso do Sul ser devolvido a ABCG antes de terminar o prazo da intervenção do poder público, o presidente da associação, Wilson Teslenco, disse que o principal interesse é o da segurança jurídica.
“Há uma negociação em andamento onde estão sendo ponderadas várias alternativas. Nosso interesse é resolver a questão de forma rápida para que a Santa Casa volte ao seu leito natural, numa situação de legalidade, para que haja sua segurança jurídica para todos os envolvidos”, explicou Wilson.
O presidente da ABCG ainda acredita que a dívida do hospital esteja em torno de R$ 120 milhões a R$ 130 milhões. Conforme informou Wilson, o secretário falou de um déficit de R$ 2 milhões e meio e não apresentou um dado oficial. O valor informado por Wilson teria sido feito com dados do balando de 2011.
“É um problema que deve ser enfrentado. A decisão judicial diz que essa dívida tem responsáveis. Esperamos saber qual é a posição que o poder público vai assumir na medida em que a decisão judicial diz que eles são responsáveis por isso. Governo do Estado e Município, eles são responsáveis por essa dívida”, afirmou o presidente da ABCG.
O presidente da Comissão de Saúde e membro da Comissão Especial, vereador Dr. Loester Nunes, lembrou que se o relatório fosse fechado hoje, a opinião dos vereadores seria de que o funcionamento da Santa Casa está inviável da forma que está.
Em 2005 a Santa Casa chegou a fechar por causa de dívidas. Na época, governo e prefeitura intervieram para retirar o hospital da crise.
O vereador Athayde Nery, relator da Comissão, explicou sobre os questionamentos encaminhados ao Governo do Estado e o Município de Campo Grande.
“Na verdade recebemos diversos documentos, mas não há coerência nas respostas, nos enviaram apenas tabelas sem qualquer explicação e assim fica difícil interpretar os dados fornecidos, por isso convocamos mais uma audiência pública, para colher estes dados que serão fundamentais para terminarmos nosso relatório”, afirmou o parlamentar.
Participaram da reunião o secretário municipal de Saúde, Leandro Mazina, o presidente da Associação Beneficente de Campo Grande (ABCG), Wilson Teslenco, o advogado da instituição Carmelindo Rezende e o vogal Pérsio Ailton Tosi. Os parlamentares Thais Helena, Athayde Nery e Dr. Loester também participaram da audiência. A secretária Estadual de Saúde, Beatriz Dobashi, não compareceu a reunião. Ela alegou incompatibilidade de agenda, mas se colocou a disposição para dirimir quaisquer dúvidas posteriormente.
