A liberação de financiamentos para os Estados por meio da Caixa Econômica Federal pode ser usada como instrumento de pressão para garantir apoio para a aprovação da reforma da Previdência. Após reunião com o presidente Michel Temer, na tarde desta terça-feira (27), o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun (MDB) que a estratégia não é “chantagem”, mas sim uma “ação de governo”.
“Financiamentos da Caixa Econômica Federal são ações de governo, senão o governador poderia tomar esse financiamento no Bradesco [banco privado]", disse Marun. "Não entendo que seja uma chantagem o governo atuar no sentido que um aspecto tão importante para o Brasil se torne realidade. O governo espera daqueles governadores que têm recursos a ser liberados, financiamento a ser liberado, uma reciprocidade no que tange a questão da Previdência”, completou, conforme entrevista divulgada pelo jornal Folha de São Paulo. Marun falou à imprensa após a reunião.
Governadores têm reclamado da prática, mas Marun a tratou com naturalidade. Ao ser questionado sobre possíveis retaliações a quem não ajudar na aprovação da proposta, o ministro disse que “sendo uma ação de governo, o nível de apoio que o governador puder prestar à questão da reforma vai considerado” pela equipe do presidente.
Ao que tudo indica, as medidas adotadas pelo Planalto quanto aos financiamentos não deve afetar os planos de Mato Grosso do Sul em pleitear recursos junto ao banco estatal. O governador Reinaldo Azambuja já reforçou em mais de uma oportunidade a necessidade de aprovação da reforma para garantir o crescimento do Estado. “Se não for esse ano, tem de ser no início do ano quem vem”, disse o governador, em conversa com jornalistas dos sites de Campo Grande para apresentar o balanço da gestão.
Reinaldo aproveitou para ressaltar a importância da aprovação da reforma nas regras para a aposentadoria dos servidores públicos do Estado, que elevou a alíquota de contribuição previdenciária de 11% para 14% para parte dos funcionários públicos e fez a unificação de massa, extinguindo um dos fundos de previdência do Estado que era deficitário
Contagem de votos
Responsável pela articulação política do Planalto, o ministro afirmou ainda que, nesta quarta-feira (28), Temer vai fazer uma reunião com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para discutir uma estratégia para a aprovação da nova Previdência em fevereiro.
O governo, porém, já liberou cargos e emendas parlamentares, além de verba para prefeitos e governadores, e, mesmo assim, não chegou nem perto dos 308 votos necessários para aprovar a medida na Câmara.
A votação, prevista para dezembro, foi adiada para 19 de fevereiro. Segundo Marun, o foco do Planalto é, mais uma vez, convencer os deputados da base que ainda resistem em votar as novas regras de aposentadoria que, na sua avaliação, pertencem a um grupo “cada vez menor”. Um novo balanço de votos deve ser apresentado a Temer no meio de janeiro.



