Campo Grande 00:00:00 Segunda-feira, 14 de Setembro de 2026


Política Quinta-feira, 15 de Setembro de 2011, 19:24 - A | A

Quinta-feira, 15 de Setembro de 2011, 19h:24 - A | A

População leva indignação e medo a audiência

Valdelice Bonifácio - Capital News (www.capitalnews.com.br)

Ao menos 200 pessoas compareceram à Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul nesta tarde quando deputados federais realizaram as audiências públicas do Projeto “A Câmara quer te Ouvir”.

As manifestações refletiram indignação e medos da população da Capital e do interior do Estado.

Os deputados realizaram três audiências paralelamente no interior da Assembleia com temáticas diferentes. A população pode falar aos deputados no plenário principal, no plenarinho e ainda na sala da presidência.

Participaram dos grupos de trabalho, o ouvidor da Câmara Federal deputado federal Miguel Correa (PT-MG), e os deputados Luiz Timbé (PT-MG), Edson Giroto (PR-MS) e Geraldo Resende (PMDB-MS).

O deputado Edson Giroto foi o moderador da audiência mais concorrida da tarde sobre transporte e infra-estrutura. Quase 50 pessoas se inscreveram para se manifestar publicamente.

Morador do distrito de Anhanduí, em Campo Grande, Joaquim Jacoboski manifestou-se sobre a necessidade de desenvolvimento da região.

“Recentemente uma usina de álcool desistiu de se instalar na região. Precisamos mudar a realidade local”, afirmou.

Já a vice-presidente da Associação dos Moradores do Bairro Santo Eugênio, Zeneuda Alves, disse que as famílias da região vivem o medo de serem removidas dali.

O problema começou com a construção da nova rodoviária de Campo Grande. Com isso, mencionou-se a necessidade de obras de abertura e ampliação de novas vias com recursos do PAC2.

“Chegou a sair no Diário Oficial, o aviso para a realização das obras”, relembra a vice-presidente que até hoje não conseguiu audiência com o prefeito Nelsinho Trad (PMDB).

Giroto adiantou já ter levantado informações sobre o caso e tentou tranqüilizar os moradores da região. “Todos ficarão lá mesmo. Não vai atrapalhar em nada o acesso ao Lageado”, mencionou o deputado sem dar maiores detalhes.

Segundo Zeneuda, 482 famílias corriam o risco de serem removidas para dar lugar a novas ruas.

Clique na imagem para acessar a galeria

Zeneuza Alves teme que famílias do Santa Eugênio sejam removidas
Foto: Deurico/Capital News

Tema livre

Já no plenário principal da Casa, o ouvidor da Câmara, Miguel Correa (PT-MG) abriu espaço para manifestações livres sem tema definido.

O presidente da Federação das Associações dos Aposentados e Pensionistas de MS, Alcides dos Santos Ribeiro aproveitou o espaço para defender a classe e ainda puxar a orelha dos deputados.

Ele criticou o reajuste diferenciado para os aposentados e disse que a Câmara Federal deveria observar o artigo 195 da Constituição Federal que determina a manutenção do poder aquisitivo das aposentadorias.

O dirigente cita que o governo federal discrimina os aposentados ao não conceder às aposentadorias o mesmo reajuste dá ao salário mínimo.

“É injusto, o governo conceder apenas metade do reajuste (...) estou falando de um universo de 8 milhões de aposentados”, disse.

O aposentado disse ainda que os deputados deveriam ter um prazo para votar as matérias. “Faz quanto tempo que a Emenda 29 está dormindo na Câmara? Acho que o regimento interno deveria ser modificado”, salientou.

Segurança na fronteira

O grupo de debates moderado pelo deputado federal Geraldo Resende (PMDB) debateu problemas das fronteiras internacionais do Estado.

Lideranças e populares de municípios que fazem fronteira com Bolívia a Paraguai participaram do debate.

Presidente do Sindicato dos Policiais Federais, Jorge Caldas reclamou do sucateamento da PF em áreas consideradas propensas ao tráfico como em Corumbá, na fronteira com a Bolívia e Ponta Porã, vizinho do Paraguai.

Ele reclama da falta de coletes para os policiais trabalharem. O sindicalista mencionou ser contra a presença da Força Federal na Fronteira, uma vez, que em sua opinião, o governo deveria investir na polícia local.

Já a vereadora de Bela Vista, Frabízia Tinoco (PSB), fez uma grave denúncia durante a audiência.

Ele afirma que a delegacia do município mantém homens e mulheres detidos na mesma cela. Além disso, o local tem estrutura ruim.

“Também não há agentes femininas. As detentas têm de ser revistadas por homens. É um absurdo”, reclama.

Geraldo é defensor da criação de uma frente parlamentar em defesa dos municípios da fronteira. Ele defende ainda a criação de um PAC da fronteira como forma de levar educação e segurança à região.

Contribuição população

O ouvidor da Câmara, deputado Miguel Correa, mencionou que a intenção do projeto “A Câmara quer te Ouvir” é dar voz a população.

Segundo, ele todas as sugestões são colhidas pelos moderadores e, posteriormente, avaliadas pela Ouvidoria da Câmara.

A ideia é que todas elas recebam uma resposta do órgão. A Ouvidoria também pretende fazer o encaminhamento, por meio de ofícios, a órgãos federais.

Além disso, as sugestões e reclames podem servir de base para projetos de lei ou para aprimorar propostas já em andamento no Congresso Nacional.

MS é o quarto Estado visitado pelo projeto da Câmara Federal que esteve no Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Amazonas.

O próximo estado ser visitado é Rio Grande do Sul, onde será realizada uma audiência em Porto Alegre.

Clique na imagem para acessar a galeria

Deputado Giroto comandou uma das audiências mais concorridas do projeto
Foto: Deurico/Capital News

Comente esta notícia


Reportagem Especial LEIA MAIS