Ao menos 200 pessoas compareceram à Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul nesta tarde quando deputados federais realizaram as audiências públicas do Projeto “A Câmara quer te Ouvir”.
As manifestações refletiram indignação e medos da população da Capital e do interior do Estado.
Os deputados realizaram três audiências paralelamente no interior da Assembleia com temáticas diferentes. A população pode falar aos deputados no plenário principal, no plenarinho e ainda na sala da presidência.
Participaram dos grupos de trabalho, o ouvidor da Câmara Federal deputado federal Miguel Correa (PT-MG), e os deputados Luiz Timbé (PT-MG), Edson Giroto (PR-MS) e Geraldo Resende (PMDB-MS).
O deputado Edson Giroto foi o moderador da audiência mais concorrida da tarde sobre transporte e infra-estrutura. Quase 50 pessoas se inscreveram para se manifestar publicamente.
Morador do distrito de Anhanduí, em Campo Grande, Joaquim Jacoboski manifestou-se sobre a necessidade de desenvolvimento da região.
“Recentemente uma usina de álcool desistiu de se instalar na região. Precisamos mudar a realidade local”, afirmou.
Já a vice-presidente da Associação dos Moradores do Bairro Santo Eugênio, Zeneuda Alves, disse que as famílias da região vivem o medo de serem removidas dali.
O problema começou com a construção da nova rodoviária de Campo Grande. Com isso, mencionou-se a necessidade de obras de abertura e ampliação de novas vias com recursos do PAC2.
“Chegou a sair no Diário Oficial, o aviso para a realização das obras”, relembra a vice-presidente que até hoje não conseguiu audiência com o prefeito Nelsinho Trad (PMDB).
Giroto adiantou já ter levantado informações sobre o caso e tentou tranqüilizar os moradores da região. “Todos ficarão lá mesmo. Não vai atrapalhar em nada o acesso ao Lageado”, mencionou o deputado sem dar maiores detalhes.
Segundo Zeneuda, 482 famílias corriam o risco de serem removidas para dar lugar a novas ruas.

Zeneuza Alves teme que famílias do Santa Eugênio sejam removidas
Foto: Deurico/Capital News
Tema livre
Já no plenário principal da Casa, o ouvidor da Câmara, Miguel Correa (PT-MG) abriu espaço para manifestações livres sem tema definido.
O presidente da Federação das Associações dos Aposentados e Pensionistas de MS, Alcides dos Santos Ribeiro aproveitou o espaço para defender a classe e ainda puxar a orelha dos deputados.
Ele criticou o reajuste diferenciado para os aposentados e disse que a Câmara Federal deveria observar o artigo 195 da Constituição Federal que determina a manutenção do poder aquisitivo das aposentadorias.
O dirigente cita que o governo federal discrimina os aposentados ao não conceder às aposentadorias o mesmo reajuste dá ao salário mínimo.
“É injusto, o governo conceder apenas metade do reajuste (...) estou falando de um universo de 8 milhões de aposentados”, disse.
O aposentado disse ainda que os deputados deveriam ter um prazo para votar as matérias. “Faz quanto tempo que a Emenda 29 está dormindo na Câmara? Acho que o regimento interno deveria ser modificado”, salientou.
Segurança na fronteira
O grupo de debates moderado pelo deputado federal Geraldo Resende (PMDB) debateu problemas das fronteiras internacionais do Estado.
Lideranças e populares de municípios que fazem fronteira com Bolívia a Paraguai participaram do debate.
Presidente do Sindicato dos Policiais Federais, Jorge Caldas reclamou do sucateamento da PF em áreas consideradas propensas ao tráfico como em Corumbá, na fronteira com a Bolívia e Ponta Porã, vizinho do Paraguai.
Ele reclama da falta de coletes para os policiais trabalharem. O sindicalista mencionou ser contra a presença da Força Federal na Fronteira, uma vez, que em sua opinião, o governo deveria investir na polícia local.
Já a vereadora de Bela Vista, Frabízia Tinoco (PSB), fez uma grave denúncia durante a audiência.
Ele afirma que a delegacia do município mantém homens e mulheres detidos na mesma cela. Além disso, o local tem estrutura ruim.
“Também não há agentes femininas. As detentas têm de ser revistadas por homens. É um absurdo”, reclama.
Geraldo é defensor da criação de uma frente parlamentar em defesa dos municípios da fronteira. Ele defende ainda a criação de um PAC da fronteira como forma de levar educação e segurança à região.
Contribuição população
O ouvidor da Câmara, deputado Miguel Correa, mencionou que a intenção do projeto “A Câmara quer te Ouvir” é dar voz a população.
Segundo, ele todas as sugestões são colhidas pelos moderadores e, posteriormente, avaliadas pela Ouvidoria da Câmara.
A ideia é que todas elas recebam uma resposta do órgão. A Ouvidoria também pretende fazer o encaminhamento, por meio de ofícios, a órgãos federais.
Além disso, as sugestões e reclames podem servir de base para projetos de lei ou para aprimorar propostas já em andamento no Congresso Nacional.
MS é o quarto Estado visitado pelo projeto da Câmara Federal que esteve no Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Amazonas.
O próximo estado ser visitado é Rio Grande do Sul, onde será realizada uma audiência em Porto Alegre.

Deputado Giroto comandou uma das audiências mais concorridas do projeto
Foto: Deurico/Capital News
