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Política Quarta-feira, 23 de Março de 2016, 18:31 - A | A

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Operação Lava Jato

Governador de MS é citado em planilhas de pagamentos da Odebrecht

Também foram listados o ex-governador André Puccinelli e os deputados federais Vander Loubet e Luiz Henrique Mandetta

Liniker Ribeiro e Adriel Mattos
Especial para o Capital News

Deurico/Arquivo Capital News

André Puccinelli, Luiz Henrique Mandetta, Reinaldo Azambuja e Vander Loubet

André Puccinelli, Luiz Henrique Mandetta, Reinaldo Azambuja e Vander Loubet

O governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja (PSDB), foi citado em planilhas de pagamentos da construtora Odebrecht para cerca de 200 políticos e 18 partidos, divulgadas nesta quarta-feira (23), pelos jornais O Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo. De acordo com a Folha, os documentos foram encontrados pela Polícia Federal em uma ação realizada em fevereiro, durante a 23ª fase da Operação Lava Jato. Outros três políticos do estado são citados: o ex-governador André Puccinelli (PMDB) e os deputados federais Vander Loubet (PT-MS) e Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS).

 

As planilhas indicam que, em 2012, Reinaldo Azambuja teria recebido cerca de R$ 150 mil durante sua candidatura à prefeitura de Campo Grande, e outros R$ 350 mil em 2014, ano em que se elegeu governador do estado, totalizando R$ 500 mil nas duas campanhas. O valor repassado a André Puccinelli, na campanha para reeleição ao governo do estado em 2010, também foi de R$ 500 mil.  

 

Vander e Mandetta, atualmente deputados federais, teriam recebido 50 mil reais cada, para suas respectivas campanhas no ano de 2010, quando buscavam mandato na Câmara dos Deputados, em Brasília (DF).

 

No cenário nacional, entre os políticos mencionados na lista, estão os senadores Aécio Neves (PSDB-MG) e Lindberg Farias(PT-RJ) e o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB) que faleceu em agosto de 2014. 

 

Os investigadores ainda estão apurando se os pagamentos descritos nas planilhas encontradas em um endereço do executivo da empreiteira Benedicto Barbosa Júnior, o BJ, trata-se de uma contabilidade paralela da empresa, a mesma que foi alvo da 26ª fase da Lava Jato, deflagrada na terça-feira (22).

 

Ainda não é possível saber se os pagamentos foram uma doação eleitoral ou propina, uma vez que, mesmo sem registro de prestação de contas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), podem se tratar de “doações ocultas”, quando repasses são feitos de forma legal aos partidos e posteriormente destinados aos candidatos.

 

Respostas

Em nota, o Diretório Regional do PSDB de Mato Grosso do Sul, afirmou que em todas as campanhas eleitorais do governador Reinaldo Azambuja nunca recebeu diretamente qualquer doação de campanha proveniente da empresa Odebrecht. Segundo a assessoria de imprensa, o Diretório Nacional recebeu doações nos anos de 2012 e 2014 e repassou a quantia de forma legal aos candidatos do partido em todo o país.

 

André Puccinelli afirmou em nota, que os recursos recebidos na campanha de 2010 foram devidamente declarados e aprovados pela Justiça Eleitoral, inclusive a doação no valor de R$ 400 mil em nome da empresa Leyroz de Caxias Industria Comércio e Logística, conforme recibo eleitoral.

 

Luiz Henrique Mandetta confirma, em nota, a doação da empreiteira Odebrecht para seu partido, o DEM, provavelmente por pedido do próprio partido ou da coligação nacional, mas no valor de R$ 40 mil. Disse ainda que a quantia foi lançada nas contas da campanha e que foi prestado contas ao TSE. Mandetta diz não ter tido nenhuma irregularidade nesse processo e afirmou não conhecer pessoalmente a empresa ou qualquer um de seus dirigentes, assim como não teve contato com alguém ligado a empresa antes ou durante da campanha.   

 

O Capital News entrou em contato com o gabinete do deputado federal Vander Loubet e aguarda resposta.

 

Leia na íntegra nota divulgada pelo Diretório Estadual do PSDB:

"O Diretório Regional do PSDB de Mato Grosso do Sul esclarece, a respeito de documentos divulgados hoje, 23 de março de 2016, os seguintes pontos:

 

 

1) O Governador Reinaldo Azambuja, em todas as suas campanhas eleitorais, nunca recebeu diretamente, qualquer doação de campanha oriunda da empresa Odebrecht.

 

2) O Diretório Nacional do PSDB recebeu nas campanhas eleitorais de 2012 e 2014 doações de diversas empresa Brasileiras, dentre elas a empresa Odebrech, e o diretório nacional repassa parte destes valores aos candidatos do partido em todo o país.

 

3)    Todas as doações recebidas pelo então candidato Reinaldo Azambuja, em 2012 e em 2014, foram feitas de forma legal e também constam na prestação de contas ao TSE;

 

4)    Em 2014, o candidato recebeu doação através do Diretório Nacional do PSDB, oriundos da empresa Odebrecht, como demonstrado na prestação de contas do candidato;

 

5)    No pleito de 2012, o candidato também recebeu doação de forma legal através do Diretório Nacional do partido; embora na prestação de contas não conste o nome da empresa, por não ser obrigatório identificar, à época, o nome dos doadores originais;

 

6)    O governador Reinaldo Azambuja reitera que nunca tratou diretamente, nem através de terceiros, sobre doações de campanha com a empresa supracitada ou seu (s) representante (s);

 

7)    Todos os valores recebidos pelo Diretório Nacional do PSDB, oriundos de doações da empresa Odebrecht constam na prestação de contas do partido, de acordo com o demonstrado no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por fim, o PSDB de Mato Grosso do Sul ressalta a citação de nomes ou partidos em listas e especulações delas advindas não podem, a princípio, ser tomadas como prova de qualquer ilícito, já que os partidos recebem doações e delas prestam contas aos órgãos competentes, de acordo com a legislação vigente."

 

Leia na íntegra nota divulgada pela assessoria do ex-governador André Puccinelli:

"Sobre a inclusão de meu nome numa suposta lista de doações da construtora Odebrecht tenho a esclarecer:

 

1 – A doação de R$ 400.000,00 (quatrocentos mil reais), realizada em 01/10/10, mediante transferência eletrônica, foi de responsabilidade da empresa Leyroz de Caxias Industria Comércio e Logísticas Ltda., em nome da qual foi expedido o recibo eleitoral 15000034425.

 

2 – Todos os recursos recebidos na campanha de 2010 foram devidamente declarados em minhas contas já aprovadas pela Justiça Eleitoral."

 

Leia na íntegra nota divulgada pela assessoria do deputado federal Luiz Henrique Mandetta:

"Em 2010 participei da minha primeira eleição como candidato a deputado federal pelo Democratas, partido de oposição frontal ao PT e ao governo federal. Nunca fui Vereador, Deputado Estadual, nem Prefeito e nem Governador.

 

A empresa Odebrecht, doou R$ 40.000,00 (Quarenta mil reais) ao Democratas de Mato Grosso do Sul, possivelmente a pedido da coligação ou da nacional, e assim foi lançado nas contas da campanha, conforme prestação no site do TSE. (http://www.tse.jus.br/eleicoes/eleicoes-anteriores/eleicoes-2010/prestacao-de-contas-eleitorais-2010)

 

O fato não constituiu nenhuma ilegalidade e garanto ainda, que não foi feita nenhuma negociação de caráter escuso ou contrário aos princípios da legalidade, ética e moral.

 

Não conheço pessoalmente a empresa ou qualquer dos seus dirigentes, nunca estive com qualquer pessoa dessa empresa nem antes nem após as eleições, nem durante o mandato. Creio que à época tratava-se de empresa idônea e a legislação pertinente foi rigorosamente cumprida.

 

 

Luiz Henrique Mandetta

 

Deputado Federal (DEM/MS)"

 

 

 

*Com informações dos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo

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