A Ivex, vencedora da licitação para a inspeção veicular em Campo Grande, era uma empresa de agrotóxico, mas mudou seu objeto social no ano passado, quando passou a concorrer para atender o município no outro ramo.
O CNPJ da empresa líder continua o mesmo de quando a Ivex era Agro Química Genérica Ltda, mas agora a atividade de indústria química passou para serviços de instalação, manutenção e reparação de acessórios para veículos automotores.
No endereço da empresa, na Rua Dr. Euler de Azevedo, 4178, no Parque dos Laranjais, na Capital, está uma casa, recém pintada.
Vizinhos contam que o imóvel é alugado, mas que nunca foi feito nenhum serviço de inspeção veicular naquele endereço.
“Recentemente tem aparecido algumas pessoas, eles disseram que ganharam uma licitação para fazer inspeção veicular. Ontem vieram algumas pessoas em três carros importados”, disse um vizinho, que pediu para não ser identificado.
O contrato com o Consórcio Inspecionar, assinado no dia 21 de dezembro de 2012 pela Prefeitura, foi suspenso pela atual administração, comandada por Alcides Bernal. A suspensão foi publicada no Diário Oficial de Campo Grande (Diogrande) de ontem (11).
Além da Ivex, o contrato entre a administração pública também envolvia as empresas, Otimiza Sistemas e Cotran Controle de Transportes, que faziam parte do mesmo consórcio liderado pela Ivex Inspeção Veicular.
O consórcio vencedor do contrato de meio bilhão de reais (exatos R$ 503 milhões) em 20 anos foi o único a atender às exigências da prefeitura.
Ele ofereceu o valor mínimo de outorga (pagamento à prefeitura) previsto no edital: R$ 10 milhões.
A inspeção veicular, se for mantida, será anual e obrigatória para todos os proprietários de veículos, ao custo de R$ 67 por automóvel.
Campo Grande possui 429.555 veículos, de acordo com levantamento feito em agosto pelo Detran/MS (Departamento Estadual de Trânsito), mas a inspeção só é obrigatória para municípios com frota superior a três milhões de veículos.

Reprodução/Receita Federal


