Senador cassado Delcídio do Amaral (sem partido) acusou novamente o ex-ministro Antônio Palocci de ligar os interesses do governo petista aos empresários para beneficiar campanhas políticas. Ele prestou depoimento ao juiz federal Sérgio Moro nesta sexta-feira (3).
Delcídio depôs como testemunha de acusação na ação penal que investiga o ex-ministro, o empreiteiro Marcelo Odebrecht e mais 13 pessoas. Eles foram denunciados pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro durante investigações da Operação Lava Jato.
“O ex-ministro Palocci transitava muito bem entre os empresários. Ele era a pessoa que fazia contatos com os empresários (...) eu não participava dessa 'entorragem', mas eu tinha as informações necessárias para compreender o papel do ex-ministro Palocci na arrecadação de recursos nas campanhas”, conforme trecho do depoimento divulgado pela Agência Brasil.
Advogado de Palocci, José Roberto Batochio afirmou que Delcídio não tinha provas que incriminem o ex-ministro. “O senador Delcídio disse que tudo o que ele sabia não tinha presenciado nada. Disse que tudo o que falou ele ouviu dizer de terceiros. Então estamos numa situação do 'disse que me disse', do 'será que pode ser'. Isso não é prova. De modo que acabada a prova do Ministério Público Federal, o saldo incriminatório é igual a zero”.
Também prestaram depoimento o ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco e o engenheiro Zwi Skornicki, que negaram ter tratado de pagamento de propina com Palocci.
Em delação premiada feita em outubro de 2016, Delcídio detalhou a suposta atuação de Palocci no relacionamento entre empresários e o Governo Federal, na época presidido por Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
De acordo com a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), há evidências de que Palocci e a construtora Odebrecht teriam estabelecido um “amplo e permanente esquema de corrupção” entre 2006 e 2015, interferindo em decisões tomadas pela União. MPF afirma que o ex-ministro teria atuado de modo a garantir que a empreiteira vencesse licitação da Petrobras para a contratação de 21 sondas, mas a defesa de Palocci nega as acusações.
Palocci foi ministro da Casa Civil no governo Dilma Rousseff (PT) e ministro da Fazenda de Lula, e hoje está detido na carceragem da Polícia Federal (PF) em Curitiba.
