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Política Sábado, 08 de Junho de 2024, 11:09 - A | A

Sábado, 08 de Junho de 2024, 11h:09 - A | A

Seminário Empresarial

Simone Tebet apresenta aos chineses as Rotas de Integração

“Viemos aqui buscar parcerias com a iniciativa privada e com o governo chinês”, resumiu a ministra

Rogério Vidmantas
Capital News

Divulgação/MPO

Simone Tebet

Simone Tebet falou no Seminário Empresarial Brasil-China

A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, integra uma comitiva do Governo Federal que visitou a China durante essa semana e participou, na última quarta-feira (5), do “Seminário Empresarial Brasil-China: os próximos 50 anos”, em Pequim, com participação de empresários dos dois países e representantes do governo chinês.

Junto com Tebet, viajaram também o Vice Presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, e os ministros Rui Costa (Casa Civil), Carlos Fávaro (Agricultura e Pecuária), Wellington Dias (Desenvolvimento Social), Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar) e Márcio França (Empreendedorismo, Micro e Pequena Empresa).

O principal ponto das duas falas de Simone Tebet no encontro foi o projeto das cinco Rotas de Integração Sul-Americana, uma delas cortando o Mato Grosso do Sul. “Viemos aqui buscar parcerias com a iniciativa privada e com o governo chinês”, resumiu a ministra, após detalhar as rotas e destacar que elas permitirão reduzir o tempo de transporte de mercadorias entre os dois países em até três semanas, o que aumentará a competitividade dos produtos dos dois países.

Tebet começou sua intervenção lembrando que entre as prioridades definidas pela população na elaboração do Plano Plurianual 2024-2027, surgiram o combate à fome, a diminuição da desigualdade social, geração de emprego e renda e o desenho de uma nova indústria. Ao ouvir a sociedade, disse Tebet, ficou claro que “só poderemos crescer de forma sustentável e duradoura, não só com uma nova indústria, mas também com a integração regional do Brasil com os países vizinhos da América do Sul e com os nossos parceiros especialmente China e sudeste asiático”.

Brasil e China comemoram, em 2024, 50 anos de relações diplomáticas, mas foi nas últimas duas décadas que as relações econômicas mais prosperaram. De US$ 6,6 bilhões, em 2003, a corrente de comércio bilateral chegou a US$ 157,5 bilhões em 2023.

O vice-presidente Geraldo Alckmin, ao falar na abertura do evento, enfatizou a importância de que as exportações do Brasil para a China, ainda concentrada em commodities, seja complementada com produtos e serviços de maior valor agregado. Segundo ele, é importante que os dois países explorem as complementariedades econômicas no relacionamento bilateral. “Vamos trabalhar ainda mais para aprimorar a nossa parceria, mas quero dizer especialmente às empresárias e empresários brasileiros que estamos juntos, com o propósito da prosperidade, do combate à pobreza, da criação de emprego e do desenvolvimento”, afirmou Alckmin.

Tebet lembrou que no Consenso de Brasília, que em maio de 2023 reuniu o presidente Lula e chefes de Estados da América do Sul, ficou muito claro que grande parte da solução para os problemas comuns dos países sul-americanos (combate à fome, crescimento sustentável, diminuição da desigualdade social) dependeria da união de esforços desses países numa integração regional.

Divulgação/MPO

Simone Tebet

Comitiva brasileira que participou do encontro entre empresários brasileiros e chineses

A ministra mostrou mapas que indicam como o destino das exportações, em 20 anos, se deslocou dos países do Atlântico, especialmente EUA, para a China, o que reforça a necessidade de novas rotas para escoar a produção agrícola brasileira. “No ano de 2023, basicamente todos os estados brasileiros, têm como destino final a China”, ressaltou.

Os mapas revelam o que os números também indicam: em 2009, a China superou os EUA como principal destino mundial das vendas externas do Brasil, e, no ano passado, os embarques brasileiros para a China alcançaram mais de US$ 100 bilhões, valor 283% maior que as exportações do Brasil para os EUA. As importações, por outro lado, foram da ordem de US$ 53,2 bilhões, de modo que o superávit comercial chegou a US$ 51,1 bilhões, mais da metade do saldo comercial do país, que totalizou US$ 98 bilhões, no ano passado.

No total, as rotas de integração contam com 190 obras que já estão no PAC, e por isso têm recursos assegurados no orçamento, disse Tebet. Ela informou que os bancos de desenvolvimento colocaram US$ 7 bilhões para financiar obras nos outros países e o BNDES, US$ 3 bilhões para outros projetos ligados as rotas no Brasil. No entorno dessas rotas, ponderou, vão se abrir muitas oportunidades de investimento, bem como outros projetos de logística.

Ao detalhar cada uma das cinco rotas, Tebet, salientou que algumas delas poderão estar funcionando entre 2025 e 2027, e lembrou que o presidente Lula assinou um decreto presidencial criando um comitê com 12 ministérios cujo objetivo de trabalho é a integração regional, o que formaliza as rotas como um projeto de Estado.

O seminário foi organizado com apoio da Agência Brasileira de Exportações (Apex), representada pelo seu presidente, Jorge Viana, com apoio da Confederação Nacional da Indústria (CNI), do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) e do China-Brazil Business Council.

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