Após servidores estaduais responsabilizarem a Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems) pelo reajuste abaixo da inflação, a deputada estadual Gleice Jane (PT) cobrou, na tribuna da Assembleia Legislativa, mais transparência nos repasses de recursos à entidade.
A parlamentar também pediu a votação de um requerimento de sua autoria que solicita a apuração de repasses milionários à federação.
“Quais são os repasses de recursos feitos à Fiems? Queremos saber. O que vimos foi um golpe contra os professores, que tiveram seus salários reduzidos, além do desconto de 14% dos aposentados”, afirmou.
Gleice Jane também criticou o índice de 3,81% concedido na revisão geral anual.
“Esse percentual representa uma política de achatamento salarial, que não podemos aceitar. Enquanto há isenções fiscais para empresários, trabalhadores vivem em condições precárias”, declarou.
O deputado Pedro Kemp (PT) também utilizou a tribuna e destacou que a revisão geral anual, sancionada por meio da Lei Estadual nº 6.562/2026, não permitia a apresentação de emendas parlamentares para ampliar o índice.
“Temos um governo que não dialoga com as categorias. Isso não é reajuste, é apenas a recomposição obrigatória por lei, que ainda assim é insuficiente”, afirmou.
Kemp também apontou que mais de 70% dos professores em sala de aula possuem contratos temporários, o que, segundo ele, distorce o modelo de ingresso por concurso público.
No pequeno expediente, o deputado João Henrique (Novo) criticou a falta de transparência na aplicação dos recursos públicos.
“O governo retira a dignidade dos servidores e recusa pedidos de informação que poderiam esclarecer a situação”, disse.
Por outro lado, o deputado Zé Teixeira (PSDB) afirmou que o problema da previdência não é exclusivo da atual gestão e destacou que há um histórico de dificuldades no sistema.
Durante a sessão, o parlamentar informou ainda que o secretário da Casa Civil, Eduardo Rocha, estaria disponível para receber uma comissão de servidores para dialogar sobre o tema.
Servidores na tribuna
A convite da deputada Gleice Jane, a professora doutora Erika Porcelli Alaniz, representante da Associação dos Docentes da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (Aduems), utilizou a tribuna para expressar o descontentamento da categoria.
Segundo ela, a principal queixa é a falta de diálogo com o governo. No caso da UEMS, a entidade aponta uma defasagem salarial de cerca de 44%.
“Não se faz ciência com pesquisadores desvalorizados. Como formar profissionais de excelência sem condições adequadas de trabalho?”, questionou.
A docente também criticou o percentual de reajuste, afirmando que o índice de 3,81% estaria entre os menores do país.
Posicionamento da presidência
O presidente da Assembleia Legislativa, Gerson Claro (PP), avaliou que a mobilização dos servidores é legítima, mas ressaltou limites legais para concessão de reajustes.
“O movimento é válido, mas precisa respeitar os prazos legais. Estamos em período próximo ao eleitoral, o que impõe restrições. Ainda assim, essa discussão não se encerra aqui”, afirmou.
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