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ALEMS

Reajuste de 3,81% gera críticas e pedido de investigação sobre repasses à Fiems

Debate na Assembleia reúne deputados e representantes de servidores em meio à insatisfação salarial

João Gabriel Vilalba
Capital News

Luciana Nassar

Deputado Pedro Kemp (PT) na tribuna da Alems

Deputado Pedro Kemp (PT) na tribuna da Alems

Após servidores estaduais responsabilizarem a Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems) pelo reajuste abaixo da inflação, a deputada estadual Gleice Jane (PT) cobrou, na tribuna da Assembleia Legislativa, mais transparência nos repasses de recursos à entidade.

A parlamentar também pediu a votação de um requerimento de sua autoria que solicita a apuração de repasses milionários à federação.

Luciana Nassar

Gleice Jane

Gleice Jane concordou com protestos

“Quais são os repasses de recursos feitos à Fiems? Queremos saber. O que vimos foi um golpe contra os professores, que tiveram seus salários reduzidos, além do desconto de 14% dos aposentados”, afirmou.

Gleice Jane também criticou o índice de 3,81% concedido na revisão geral anual.

“Esse percentual representa uma política de achatamento salarial, que não podemos aceitar. Enquanto há isenções fiscais para empresários, trabalhadores vivem em condições precárias”, declarou.

O deputado Pedro Kemp (PT) também utilizou a tribuna e destacou que a revisão geral anual, sancionada por meio da Lei Estadual nº 6.562/2026, não permitia a apresentação de emendas parlamentares para ampliar o índice.

“Temos um governo que não dialoga com as categorias. Isso não é reajuste, é apenas a recomposição obrigatória por lei, que ainda assim é insuficiente”, afirmou.

Kemp também apontou que mais de 70% dos professores em sala de aula possuem contratos temporários, o que, segundo ele, distorce o modelo de ingresso por concurso público.

No pequeno expediente, o deputado João Henrique (Novo) criticou a falta de transparência na aplicação dos recursos públicos.

“O governo retira a dignidade dos servidores e recusa pedidos de informação que poderiam esclarecer a situação”, disse.

Por outro lado, o deputado Zé Teixeira (PSDB) afirmou que o problema da previdência não é exclusivo da atual gestão e destacou que há um histórico de dificuldades no sistema.

Durante a sessão, o parlamentar informou ainda que o secretário da Casa Civil, Eduardo Rocha, estaria disponível para receber uma comissão de servidores para dialogar sobre o tema.

Servidores na tribuna

A convite da deputada Gleice Jane, a professora doutora Erika Porcelli Alaniz, representante da Associação dos Docentes da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (Aduems), utilizou a tribuna para expressar o descontentamento da categoria.

Segundo ela, a principal queixa é a falta de diálogo com o governo. No caso da UEMS, a entidade aponta uma defasagem salarial de cerca de 44%.

“Não se faz ciência com pesquisadores desvalorizados. Como formar profissionais de excelência sem condições adequadas de trabalho?”, questionou.

A docente também criticou o percentual de reajuste, afirmando que o índice de 3,81% estaria entre os menores do país.

Posicionamento da presidência

O presidente da Assembleia Legislativa, Gerson Claro (PP), avaliou que a mobilização dos servidores é legítima, mas ressaltou limites legais para concessão de reajustes.

“O movimento é válido, mas precisa respeitar os prazos legais. Estamos em período próximo ao eleitoral, o que impõe restrições. Ainda assim, essa discussão não se encerra aqui”, afirmou.

Luciana Nassar

Protesto na Alems

 Servidores públicos realizam protesto contra reajuste de 3,81% no reajuste salarial 

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