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Câmara Campo Grande

Guardas de Campo Grande cobram adicional de periculosidade e reajuste durante audiência

Categoria afirma que decisões judiciais sobre periculosidade e enquadramento ainda não foram cumpridas pela Prefeitura

João Gabriel Vilalba
Capital News

Izaias Medeiros

Audiência foram debatidos melhorias salarias para coporação

Audiência foram debatidos melhorias salarias para coporação

Acontece nesta segunda-feira (10), na Câmara Municipal de Campo Grande, uma audiência pública para discutir a valorização e as melhorias salariais dos integrantes da Guarda Civil Metropolitana (GCM).

Entre as principais cobranças apresentadas durante a audiência está o pagamento do adicional de periculosidade aos profissionais, conforme já estabelecido em decisão judicial. A Câmara Municipal criou uma Comissão Especial para acompanhar a implementação do benefício.

Outra reivindicação apresentada pela categoria envolve valores referentes ao enquadramento dos servidores, que teriam sido pagos em percentual inferior ao determinado judicialmente.

A Comissão Especial é presidida pelo vereador André Salineiro, proponente da audiência pública “GCM em Pauta: Valorização e Fortalecimento da Segurança Pública Municipal” e vice-presidente da Comissão Permanente de Segurança Pública da Casa de Leis.

Também integram a comissão os vereadores Flávio Cabo Almi, Luiza Ribeiro, Otávio Trad e Beto Avelar. O vereador Leinha secretariou a audiência.

Sindicato cobra pagamento de periculosidade

O presidente do Sindicato dos Guardas Municipais de Campo Grande, Hudson Bonfim, afirmou que, mesmo diante das limitações impostas pelo Programa de Equilíbrio Fiscal, a Prefeitura deve efetuar os pagamentos previstos em decisões judiciais já transitadas em julgado.

“A nossa expectativa hoje aqui é para que seja cumprido, no mínimo, os 30% em cima do vencimento-base”, afirmou.

Segundo Bonfim, a administração municipal ainda não realizou os laudos determinados pela Justiça necessários para iniciar o pagamento do adicional.

Categoria também cobra enquadramento

Outra demanda apresentada durante a audiência está relacionada ao Plano de Cargos e Carreiras da Guarda, especificamente ao enquadramento dos inspetores, que deveria ter ocorrido em janeiro de 2025.

Segundo o sindicato, um acordo foi firmado em abril e previa pagamento de 40%, mas os servidores receberam apenas 20%.

A Justiça determinou o enquadramento retroativo e o pagamento da diferença corrigida, mas, segundo a categoria, a medida ainda não foi cumprida.

Atualmente, o Sindicato dos Guardas Municipais possui 34 ações judiciais contra a Prefeitura de Campo Grande relacionadas à cobrança de direitos. A Capital conta com aproximadamente 1,2 mil guardas.

Guardas relatam dificuldades financeiras

Durante a audiência, o Guarda Civil César Macedo relatou as dificuldades financeiras enfrentadas pelos profissionais e afirmou que muitos servidores estão tendo problemas para pagar as contas e manter o sustento das famílias.

Emocionado, ele apresentou dois holerites. Em um deles, um servidor com empréstimo consignado recebe apenas R$ 496 líquidos por mês. No outro, de um profissional sem empréstimos, o salário líquido é de R$ 986, após os descontos sobre o vencimento-base de R$ 1.860.

“Não está fácil, tenho colega em depressão do meu lado. A periculosidade ainda não vai resolver a situação desse sujeito. Não sei qual o melhor método para resolver essa situação, mas estou pedindo socorro aos vereadores e à prefeita, que pensem em nós. Precisamos criar uma real estratégia para melhoria”, afirmou Macedo.

O Guarda Civil Luciano Cabral também defendeu uma reestruturação da carreira.

“Não dá para sobreviver da maneira que está. Recebi R$ 820 esse mês, pago mil reais de aluguel, vou comer ou não? A periculosidade ainda não vai resolver. Pessoal está endividado e doente”, afirmou.

Segundo Cabral, atualmente cerca de 260 profissionais recebem valores próximos dessa média salarial.

“Não tem condições de viver com esse salário”, acrescentou.

Vereadores defendem valorização da categoria

A vereadora Luiza Ribeiro afirmou que a remuneração dos profissionais não condiz com a importância da função exercida pela Guarda Civil Metropolitana.

“Não se pode admitir que o profissional da segurança, com uma função tão relevante, tenha uma remuneração de apenas R$ 1.860, um vale-alimentação que não representa sequer uma compra no supermercado. Precisamos juntar forças para enfrentar essa questão”, declarou.

A vereadora também questionou as diferenças salariais entre municípios e criticou a atual gestão municipal.

“O que está tão desorganizado que não conseguimos respirar para ter uma saída?”, questionou.

O vereador Jean Ferreira destacou que a segurança pública é diretamente impactada pelo funcionamento de outras áreas da administração pública.

“A segurança para funcionar é uma questão sistêmica, de funcionamento das outras áreas”, afirmou.

Ele citou ainda o Projeto Além da Farda, de sua autoria, voltado à atenção à saúde mental dos profissionais da segurança.

O vereador Junior Coringa lembrou projetos aprovados pela Câmara Municipal relacionados à Guarda, como o armamento dos profissionais e a nomeação de remanescentes de concurso público.

“A Guarda está presente no dia a dia da sociedade de Campo Grande”, afirmou. Sobre a questão salarial, acrescentou: “Essa questão salarial tem que ser discutida nessa Casa”.

Entidades reforçam importância da Guarda

Durante a audiência pública, representantes de diferentes instituições também destacaram a importância da atuação dos Guardas Civis Metropolitanos e defenderam a valorização dos profissionais.

Participaram das discussões delegados da Polícia Civil, representantes da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de Mato Grosso do Sul, da Associação Comercial de Campo Grande e do Corpo de Bombeiros.

As entidades reforçaram a necessidade de melhorias nas condições de trabalho e de valorização salarial dos

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