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Política

Câmara encerra ciclo de audiências sobre moradia indígena em Campo Grande

Debates em oito comunidades vão subsidiar políticas públicas voltadas à habitação dos povos originários

João Gabriel Vilalba
Capital News

A Câmara Municipal de Campo Grande realizou, neste sábado (27), duas audiências públicas com o tema "Moradia Indígena: uma condição para o bem viver". Os encontros ocorreram na Aldeia Xunako Kopenoti, no Jardim Inápolis, e na Aldeia Darcy Ribeiro, no Jardim Noroeste, com o objetivo de discutir as condições de moradia e identificar as principais demandas das comunidades indígenas urbanas.

Segundo a Casa de Leis, a série de debates sobre habitação teve início em 2025 por iniciativa da Comissão Permanente das Causas Indígenas. A proposta levou o Legislativo até as comunidades para levantar informações sobre a realidade habitacional de cada aldeia, buscando soluções que garantam moradia digna sem desconsiderar a cultura e as tradições dos povos originários.

A vereadora Luiza Ribeiro, que coordenou a iniciativa, explicou que, a partir do diagnóstico realizado em cada comunidade, serão encaminhadas as demandas aos órgãos responsáveis pela política habitacional.

"Cada comunidade indígena tem uma realidade diferente, que precisa ser considerada pelo Poder Público", afirmou.

A parlamentar também destacou que um dos resultados do trabalho foi a regularização da comunidade Água Funda, onde a construção das moradias deve começar ainda este ano, respeitando os elementos do bem viver indígena.

Para o presidente do Conselho Municipal dos Direitos e Defesa dos Povos Indígenas (CMDDI), Lísio Lili, a presença da Câmara nas comunidades permitiu que os indígenas apresentassem diretamente suas principais necessidades.

"Esse trabalho foi muito importante porque permitiu que a comunidade manifestasse, dentro do seu próprio território, toda a situação que enfrenta, a começar pela moradia. Essa demanda passou a ser conhecida pelo Poder Legislativo, representando um momento de inovação nas pautas dos povos indígenas", destacou.

Ao longo da iniciativa, foram realizadas oito audiências públicas, contemplando a Aldeia Água Bonita, no Bairro Tarsila do Amaral; a Comunidade Kadiwéu, em audiência realizada na Câmara Municipal; a Aldeia Inamaty Kaxé, no Bosque Santa Mônica; a comunidade da Vila Bordon; a comunidade Água Funda, no Jardim Noroeste; a Aldeia Marçal de Souza, no Bairro Tiradentes; a Aldeia Xunako Kopenoti, no Jardim Inápolis; e a Aldeia Darcy Ribeiro, no Jardim Noroeste.

De acordo com a Câmara Municipal, as audiências permitiram mapear a realidade das comunidades indígenas urbanas e reunir informações que servirão de base para o encaminhamento de demandas aos órgãos competentes, contribuindo para a formulação de políticas públicas voltadas à habitação e à promoção do bem viver dos povos originários.

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