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Política

Audiência debate falta de medicamentos, cirurgias e estrutura da saúde em Campo Grande

Secretário Marcelo Vilela apresentou dados da Sesau e respondeu a questionamentos de vereadores e representantes do setor

João Gabriel Vilalba
Capital News

Izaias Medeiros

 Audiência Pública sobre a Saúde na Câmara Municipal de Campo Grande

Audiência Pública sobre a Saúde na Câmara Municipal de Campo Grande

Os desafios da saúde pública em Campo Grande foram debatidos durante audiência pública realizada nesta segunda-feira (28), na Câmara Municipal. A prestação de contas da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), referente ao período de maio a agosto deste ano, abordou questões como falta de recursos para cirurgias eletivas, fornecimento de medicamentos, limpeza das unidades de saúde, situação da Santa Casa e investimentos na rede municipal.

A audiência foi presidida pelo vereador Dr. Lívio, da Comissão Permanente de Saúde da Câmara Municipal.

“A gente sabe que é uma pauta muito difícil e que os resultados vão acontecendo realmente a passos pequenos, mas que, no longo prazo, a gente possa ter resultados melhores. Campo Grande estava com uma situação muito precária em relação à saúde, ainda está, mas a gente já percebe uma pequena evolução ao longo desse ano”, afirmou o vereador.

Entre os principais pontos discutidos esteve a falta de medicamentos. O secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela, informou que algumas empresas não estão realizando as entregas dentro dos prazos previstos, o que tem levado à necessidade de medidas judiciais para regularizar o fornecimento.

Santa Casa

A situação da Santa Casa também foi abordada durante a audiência, em razão das recentes investigações envolvendo suspeitas de fraude e desvios de recursos, que resultaram na prisão da então presidente da instituição.

O secretário informou que ainda participará da primeira reunião de alinhamento com a equipe responsável pela intervenção no hospital. Também foi pactuado o repasse de R$ 4 milhões, provenientes da Prefeitura de Campo Grande e do Governo do Estado, para a compra de insumos.

O vereador Jean Ferreira acrescentou que entregou ao superintendente do Ministério da Saúde um pedido de auditoria nos recursos destinados à Santa Casa, diante dos fatos investigados.

Cirurgias eletivas

Durante o debate, Dr. Lívio também questionou o cronograma das cirurgias eletivas, que, segundo ele, ainda são alvo de diversas judicializações.

Marcelo Vilela explicou que existe uma rede contratualizada e citou o programa Vira CG, que tem como objetivo reduzir a fila de espera. O secretário informou que encaminhará à Câmara um balanço dos procedimentos realizados e dos recursos aplicados.

Segundo ele, uma das principais dificuldades ocorreu nas cirurgias urológicas, após a Santa Casa suspender a realização desses procedimentos.

Transporte de pacientes

Questões relacionadas à gestão pública e seus impactos no atendimento também foram discutidas. O vereador Veterinário Francisco citou o problema recorrente da falta de vagas nos hospitais e apontou dificuldades no transporte dos pacientes.

“O que tem me preocupado é que surgem as vagas, mas aí não temos ambulância para levar pacientes das unidades até os hospitais”, afirmou.

O secretário informou que está sendo providenciada a contratação de um serviço de transporte entre as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e os hospitais.

“Estamos correndo para fazer contratação disso. Não tinha esse serviço”, disse.

Outra medida prevista é a inclusão do serviço de engenharia clínica na rede municipal de saúde, com o objetivo de prestar assistência técnica ao parque tecnológico dos estabelecimentos. A proposta prevê a elaboração de um cronograma de manutenção dos equipamentos utilizados nas unidades.

A medida foi citada durante os questionamentos sobre os compressores odontológicos, equipamentos considerados essenciais para o funcionamento dos serviços odontológicos.

Limpeza das unidades

O presidente do Conselho Municipal de Saúde, Jader Vasconcelos, questionou a qualidade da limpeza nas unidades de saúde, atualmente realizada pela empresa Produserv.

“A empresa continua e o serviço de péssima qualidade. Agora não estão entregando material mesmo, quando anda pelas unidades percebe que a reclamação é geral”, afirmou.

Vasconcelos também disse que o número mínimo de profissionais previsto no contrato estaria sendo descumprido.

Marcelo Vilela explicou que, devido a questões relacionadas a recursos judiciais, a Prefeitura ficou, segundo suas palavras, “refém” da situação administrativa, uma vez que a empresa ingressou com mandado de segurança para suspender uma nova licitação.

Frota

Durante a audiência, o vereador Maicon Nogueira também questionou um relatório do Departamento Nacional de Auditoria do Sistema Único de Saúde (Denasus) relacionado à frota municipal.

Ele perguntou por que R$ 345 mil teriam sido utilizados em veículos que não pertencem à frota do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

O secretário informou que uma auditoria interna apontou a necessidade de devolução de recursos e afirmou que está cobrando, junto a outros setores, medidas para melhorar a gestão da frota e evitar novos problemas.

“Em relação à frota melhorou 90%, temos tudo rodando. São problemas administrativos, vamos corrigindo com diagnósticos de gestão”, afirmou.

Dados da saúde

No início da audiência, o secretário apresentou dados da Sesau referentes ao período de maio a agosto deste ano.

A rede física de atendimento vinculada ao SUS conta com 214 estabelecimentos. O município possui ainda 7.888 servidores que atuam no SUS Municipal, sendo os servidores efetivos a principal força de trabalho, complementada por vínculos temporários e convocações.

O relatório também apontou que a produção da Atenção Primária contabilizou 2,1 milhões de atendimentos no período. O documento indica ainda que o município aplicou 24,5% das receitas municipais em saúde, acima do mínimo constitucional de 15%.

A prestação de contas da saúde é realizada a cada quatro meses pela Secretaria Municipal de Saúde, conforme previsto na legislação. O relatório é encaminhado aos vereadores e apresentado em audiência pública, permitindo o acompanhamento dos dados pela população.

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